A oposição ao governo na Câmara pediu
na noite desta quarta-feira, 16, a renúncia da presidente Dilma Rousseff e a
prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a divulgação de uma
ligação telefônica em que os dois foram flagrados conversando sobre a entrega
antecipada do termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil.
“A casa caiu. A presidente está
fazendo obstrução da Justiça. Entendemos que ela é passível de interdição.
Vamos pedir a renúncia de Dilma e que se cumpra voz de prisão ao ex-presidente
Lula”, afirmou o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). “Não tem outro caminho
senão a renúncia”, reforçou o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA).
“Se espera que amanhã (quarta-feira),
a partir das 6h da manhã, a Polícia Federal esteja na porta da residência do
ex-presidente Lula”, disse o deputado Mendonça Filho (DEM-PE). “Renúncia é o
mínimo que ela poderia oferecer ao povo brasileiro”, completou.
“O governo acabou. Ambos não merecem
outro lugar senão a prisão” afirmou Rubens Bueno (PR), líder do PPS.
O vice-líder do PSDB na Câmara,
deputado Betinho Gomes (PE), afirmou que ingressará com uma denúncia formal na
Organização das Nações Unidas (ONU) apontando que o Brasil feriu convenção da
entidade de 2003 para combate à corrupção ao nomear Lula para o ministério. De
acordo com o deputado, a formalização da denúncia será feita assim que a
nomeação seja oficializada no Diário Oficial da União (DOU).
Ruas
Partidos de oposição apostam na
pressão das ruas sobre os parlamentares para impedir que o ingresso do petista
no Palácio do Planalto reverta a atual crise política e esfrie os ânimos
favoráveis ao impeachment.
“Vai haver eleição em outubro e os
deputados não moram em Brasília. Alguns deputados serão candidatos, outros
apoiarão (candidatos) e serão cobrados”, afirmou o líder do DEM na Câmara
Pauderney Avelino (AM). “Parlamentares são sensíveis às ruas”, salientou
Avelino. “O ambiente está muito conturbado. Lula está sendo acossado pela
Justiça, a qualquer momento pode virar réu. Não tem margem para manobra”, disse
o deputado.
O líder do PPS na Casa, Rubens Bueno
(PR), foi na mesma linha. “O capital político dele (de Lula) é este que foi
indicado pelas ruas (nas manifestações do último domingo, 13)”, disse o
deputado. “A base está sendo pressionada pela população a votar rapidamente o
impeachment”, afirmou Bueno.
Em nota divulgada no final desta
manhã, o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), afirmou que “a
nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil, anunciada hoje, é um tapa na
cara da sociedade que foi às ruas pedir o fim do governo Dilma e apoiar a
Operação Lava Jato”.
Críticas
Os líderes oposicionistas na Câmara
estenderam-se em críticas à nomeação. Os partidos ingressaram ontem na Justiça
Federal do Distrito Federal com ação popular para tentar impedir a posse de
Lula. Nesta quarta-feira, farão o mesmo em todos os 26 Estados brasileiros.
“A Casa Civil do governo do PT é o
lugar de onde os ministros saem queimados. O Lula já chega queimado”, disse
Pauderney Avelino. “O que esperar de um governo desses?”, questinou.
“Ela (Dilma) está que não quer mais
governar. Está entregando o governo num último suspiro”, afirmou Rubens Bueno,
para quem a nomeação de Lula é sinal de desespero. “Desesperado, o governo não
tem a quem apelar”, disse Bueno.
“Em vez de se explicar e assumir as
suas responsabilidades, o ex-presidente Lula preferiu fugir pelas portas do
fundo. Vai assumir um ministério para garantir foro privilegiado e escapar do
juiz Sérgio Moro. É uma confissão de culpa e um tapa na cara da sociedade. A
presidente Dilma, ao convidá-lo, torna-se cúmplice dele”, afirmou Antonio
Imbassahy em sua nota.
“É um governo que não tem mais
nenhuma serventia ao país, apenas ao PT, Lula e Dilma. O Estado brasileiro,
depois de ter sido tomado de assalto nestes últimos 13 anos para abastecer os
cofres de um projeto político, está sendo transformado em refúgio de
investigados. Isso é inadmissível”, disse o líder tucano.
O protesto em frente ao Palácio do
Planalto contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a
Casa Civil já reúne cerca de 2 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia
Militar. O trânsito em frente à Praça dos Três Poderes foi totalmente bloqueado
em razão da mobilização, que começou por volta das 17h, reunindo pouco mais de
100 manifestantes.
O grupo exibe faixas pedindo a prisão
do ex-presidente e grita palavras de ordem. Mais cedo, houve confronto com
petistas que tentavam protestar em defesa do governo. Mas, o grupo acabou se
retirando do local.