A violência do
trânsito da Capital ficou mais branda nos últimos anos. É o que apontam dados
levantados pela Prefeitura de Fortaleza, em parceria com o Programa de
Segurança Viária da Bloomberg Philanthropies, ao mostrar uma redução de mortes
no trânsito de 35,7% em quatro anos (2011/2015). O resultado foi obtido levando
em consideração o número de mortes para cada grupo de 10 mil veículos,
indicador da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Já no indicador que
estabelece a relação de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, a capital
cearense reduziu em 21% o número de vítimas fatais, também entre os anos de
2011 e 2015, conforme números apresentados pela Secretaria de Conservação e
Serviços Públicos (SCSP), por meio do Plano de Ações Imediatas de Transporte e
Trânsito de Fortaleza (Paitt).
Com 119 mortes, ou
seja, 37,8% do total registrado, os pedestres lideram as ocorrências de 2015. O
perfil da maior parte dessas vítimas é de homem, entre 30 e 59 anos. No mesmo
ano, 110 motociclistas (37,8%) perderam a vida no trânsito, 49 passageiros
(15,6%), 21 motoristas (6,7%) e 16 ciclistas (5,1%).
Todos esses dados
nortearão as ações e políticas públicas visando à redução dos índices, com meta
de 50% nos próximos cinco anos.
Partindo da
premissa de que, quanto mais carros nas ruas, mas acidentes são registrados, os
dados são considerados expressivos, na avaliação do secretário executivo da
SCSP e coordenador do Paitt, Luiz Alberto Saboia, por apontar redução dos casos
apesar do constante aumento da frota. Eram 785.360 veículos nas ruas em 2011
contra aproximadamente 1.010.000 no ano de 2015.
"A nossa
hipótese é que isso é resultado das ciclofaixas, das faixas de ônibus, das
faixas em X e das travessias elevadas, de todas as políticas de mobilidade
urbana que vêm sendo implantadas. Isso nos anima para continuar expandindo
essas ações", diz.
O mapeamento
realizado também identifica as áreas com maior número de acidentes fatais.
Grandes corredores de tráfego como a Avenida Mister Hall, Avenida Leste Oeste,
Avenida José Bastos, Avenida Osório de Paiva aparecem com a maior incidência
dos casos.
Segundo ressalta o
coordenador do Paitt, esse levantamento orientará a implantação de estratégias
já em uso pela gestão municipal. "Entendendo onde esses acidentes mais
ocorrem a gente pode planejar melhor onde serão instalados esses novos
equipamentos".
Fatores de risco
Ainda conforme Luiz
Eduardo Saboia, a reunião desses dados faz parte do primeiro pilar de trabalho
realizado entre a Fundação Bloomberg e a Prefeitura, objetivando, a partir de
agora, a atualização das informação mês a mês, identificando os fatores de
risco que mais contribuem para os acidentes.
A 2ª frente de ação
da Prefeitura consiste no trabalho de comunicação e educação da população, com
início previsto até o fim deste ano. "Vamos fazer uma política permanente
de comunicação com a sociedade, dos fatores de riscos de acidentes, de qual o
impacto disso na sociedade, na economia, no sistema de saúde pública. Iremos
começar em mídias sociais ainda esse ano e, em 2017, em mídias de massa".
Reduzir
A fiscalização
também será trabalhada no sentido de reduzir o número de acidentes e mortes,
conforme acrescenta o Luiz Alberto Saboia. Neste caso, o foco será o combate à
alcoolemia, ao excesso de velocidade, ao uso do celular ao dirigir, à falta do
capacete e pelo incentivo ao uso do cinto de segurança.
Treinar
"Todos esses
fatores aumentam muito o risco de acidentes. Então a nossa missão agora é
treinar, capacitar o corpo de agentes da Autarquia Municipal de Trânsito para
promover um trabalho educativo em cima desses cinco fatores".