Três dias após o início das rebeliões no Ceará, no
último sábado (21), a situação ainda é de instabilidade nesta terça-feira (24).
A chegada da Força Nacional de Segurança é aguardada para esta semana e,
segundo o Ministério da Justiça, as equipes já estão se deslocando da base de
treinamentos da Força, no Gama (DF), com destino à capital cearense.
Não foram informados, porém, quantos homens estão sendo deslocados ou como será
o trabalho dos militares. O Governo do Estado comunicou que, por orientação do
Ministério da Justiça, não serão divulgados detalhes por questões de segurança.
A Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) reforçou que os militares vão dar
um reforço no estado, e que, portanto, não se trata de uma operação. A pasta
comunicou ainda que a Polícia Militar já está entrando nos presídios
"sempre que necessário", e que não é aguardada a chegada da Força
Nacional para controlar a situação nas unidades.
Em reunião do governo com representantes da
Justiça, foi traçado um plano de estabilização do sistema prisional. Segundo a
Casa Civil, o plano está em fase de conclusão. Uma das medidas anunciadas é que
os processos de liberdade provisória devem ser agilizados.
Pelo
menos 14 presos mortos
De acordo com o último balanço emitido pela Sejus, emitido na tarde desta
segunda-feira (23), 14 presos morreram em episódios de rebeliões ocorridos em
presídios da Região Metropolitana de Fortaleza, entre o sábado (21) e o domingo
(22). Conforme o órgão, os assassinatos ocorreram em decorrência de conflitos
entre os detentos.
Já o juiz corregedor dos presídios do Ceará, Cesar
Belmino, informou que o número de mortos nas rebeliões do Ceará pode chegar a
26. "É uma estimativa", afirmou o juiz durante visita às unidades do
Centro de Privação Provisória de Liberdade (CPPL), em Itaitinga.
Dentre os mortos estão Luan Brito da Silva, 21 anos, que respondia por
latrocínio; Paulo César de Oliveira, 46 anos, respondia por tráfico; Francisco
Clenildo Felipe Costa, 40 anos, respondia por furto; Daniel Henrique Maciel dos
Santos, 26 anos, respondia por homicídio e roubo; Diego Martins da Silva, 31
anos, respondia por roubo; Roberto Bruno Agostinho da Silva, 23 anos, respondia
por homicídio; Rian Pereira Paz, 33 anos, respondia por tráfico de drogas; e
Daniel de Sousa Oliveira, 22 anos, respondia por homicídio e roubo.
Outros seis internos ainda não foram identificados. Os corpos foram recolhidos
pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) para a realização de exames
cadavéricos que deverão comprovar a identificação das vítimas. Dentre os mortos
estão pelo menos cinco homens que foram encontrados carbonizados.
Na Unidade Prisional Desembargador Francisco Adalberto Barros de Oliveira Leal,
em Itaitinga, foram registradas as mortes de Roberto Bruno Agostinho da Silva,
Rian Pereira Paz e Daniel de Sousa Oliveira. Os locais onde as demais corpos
foram encontrados não foram divulgados.
Caos no
sistema prisional
Desde sábado (21), detentos estão rebelados. No fim de semana, presos invadiram
alas e mataram outros detentos, além de quebrar celas, armários, grades,
cadeiras e queimar colchões após a suspensão das visitas, segundo órgãos de
segurança.
Agentes penitenciários do estado entraram em greve no sábado, voltaram no fim
do dia após negociação com o governo do estado, mas os detentos já estavam fora
de controle. Familiares bloquearam a BR-116 por diversas vezes no domingo (22).
Em nota, a Sejus informou que toma "todas as medidas necessárias para
estabilizar a situação nos presídios". No domingo, o governador Camilo
Santana solicitou o apoio da Força Nacional de Segurança para de garantir a
estabilidade nos presídios, especialmente durante a recuperação das
instalações, que foram destruídas por conta das rebeliões.