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Policiais denunciam sucateamento dos equipamentos de comunicação de viaturas

PMs sofrem com estrutura de comunicação precária.

O descaso do Governo do Estado com os equipamentos de tecnologia e comunicação das viaturas da Polícia Militar tem dificultado o trabalho dos profissionais e, por vezes, colocado vidas em risco. Denúncias feitas por policiais ao Tribuna do Ceará relatam a difícil rotina deles, com equipamentos com mau funcionamento, obsolência e escassez de manutenção, problemas existentes em rádios, telefones fixos das viaturas, câmeras de segurança e computadores de bordo.

“O rádio da polícia era numa frequência analógica, depois falaram que a frequência digital iria melhorar, seria uma revolução. Hoje você tenta modular com a Ciops (Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança), com outra viatura, com o batalhão, com os cérebros da comunicação, e não funciona. Fica com falha na frequência, ninguém escuta nada”, conta um policial, sob a condição do anonimato.

A dificuldade de comunicação pelo rádio é a mais destacada pelos PMs. Segundo eles, a frequência foi mudada antes da Copa do Mundo de 2014, com a promessa de que facilitaria a comunicação. No entanto, apesar da introdução dos novos equipamentos, as antenas de transmissão permaneceram as mesmas do rádio analógico. Das 18 antenas necessárias para a operação, o sistema continua sendo operado com apenas três, revelam.

“Apesar da qualidade ruim, no analógico, a mensagem chegava. Dava certo em Fortaleza e na Região Metropolitana. No digital, a gente chega a ficar duas horas sem rádio. Os novos equipamentos são ótimos, mas falta infraestrutura das antenas”, reclama outro soldado, que também pede para ter o nome omitido.

Os policiais têm dificuldade em solicitar reforço e informar sobre as ocorrência que atendem. A situação se torna mais grave diante da inoperância também do sistema de localização das viaturas e da lentidão do computador de bordo.

Somente de agosto a dezembro de 2014, o Governo do Estado pagou R$ 1.991.461 à empresa Autotrac Comércio Telecomunicações na aquisição de equipamentos de comunicação de dados e rastreamento via satélite para as novas viaturas da SSPDS. Os dados são do Portal da Transparência do Estado.

O valor registrado nos custos de manutenção dos serviços de comunicação, cuja previsão era de R$ 4,7 milhões entre 2010 e 2015, foi de R$ 1.048.727,33 à empresa Levi Assistência Técnica Autorizada.

Viaturas novas

Os problemas não se restringem aos carros modelo Hilux, adquiridos da Toyota a partir de 2008, primeiro ano da gestão de Cid Gomes, antecessor do governador Camilo Santana. As 30 novas viaturas, de modelo Duster (Renault), que custaram R$ 1,5 milhão, já são alvos de críticas.

De acordo com um terceiro soldado ouvido pelo Tribuna do Ceará, que também pede para ter o nome resguardado, por receio de punições da Polícia Militar, das 20 viaturas disponibilizadas para a patrulha em bairros nobres de Fortaleza, metade não tem sistema de comunicação.

“A gente não está atendendo nenhuma ocorrência via Ciops. Na verdade, as viaturas novas são do ano de 2014. A gente usa o celular pessoal. De 20 carros no total que estão à disposição, só uns 10 têm rádio; os outros 10, não. Estão substituindo o TMD (Terminal Móvel de Dados) por tablets, mas ainda não estão sendo utilizados. O próprio GPS que vem no tablet não funciona”, relata o policial.

A comunicação também falha na integração de ocorrências. Sem GPS e comunicação eficiente com as viaturas, os policiais relatam que a Ciops não consegue identificar onde há viaturas mais próximas dos locais de ocorrências.

Eles também pontuam que há dificuldade em utilizar o TMD devido à obsolência do aparelho. O espaço limitado para digitação de texto e a lentidão na comunicação com a Ciops prejudicam abordagens.

“Toda noite em que estou de serviço na rua, faço uma abordagem e preciso fazer uma consulta de placa, por exemplo, o sistema não funciona. O sistema está fora do ar. Se tem uma pessoa com um mandado de prisão em aberto, você não prende porque não tem como checar”, reclama o cabo.

“Se tem uma pessoa com um mandado de prisão em aberto, você não prende porque não tem como checar”.

 

26 de JUN de 2016 às 10:38:45
Fonte: Tribuna do Ceará
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O descaso do Governo do Estado com os equipamentos de tecnologia e comunicação das viaturas da Polícia Militar tem dificultado o trabalho dos profissionais e, por vezes, colocado vidas em risco. Denúncias feitas por policiais ao Tribuna do Ceará relatam a difícil rotina deles, com equipamentos com mau funcionamento, obsolência e escassez de manutenção, problemas existentes em rádios, telefones fixos das viaturas, câmeras de segurança e computadores de bordo.

“O rádio da polícia era numa frequência analógica, depois falaram que a frequência digital iria melhorar, seria uma revolução. Hoje você tenta modular com a Ciops (Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança), com outra viatura, com o batalhão, com os cérebros da comunicação, e não funciona. Fica com falha na frequência, ninguém escuta nada”, conta um policial, sob a condição do anonimato.

A dificuldade de comunicação pelo rádio é a mais destacada pelos PMs. Segundo eles, a frequência foi mudada antes da Copa do Mundo de 2014, com a promessa de que facilitaria a comunicação. No entanto, apesar da introdução dos novos equipamentos, as antenas de transmissão permaneceram as mesmas do rádio analógico. Das 18 antenas necessárias para a operação, o sistema continua sendo operado com apenas três, revelam.

“Apesar da qualidade ruim, no analógico, a mensagem chegava. Dava certo em Fortaleza e na Região Metropolitana. No digital, a gente chega a ficar duas horas sem rádio. Os novos equipamentos são ótimos, mas falta infraestrutura das antenas”, reclama outro soldado, que também pede para ter o nome omitido.

Os policiais têm dificuldade em solicitar reforço e informar sobre as ocorrência que atendem. A situação se torna mais grave diante da inoperância também do sistema de localização das viaturas e da lentidão do computador de bordo.

Somente de agosto a dezembro de 2014, o Governo do Estado pagou R$ 1.991.461 à empresa Autotrac Comércio Telecomunicações na aquisição de equipamentos de comunicação de dados e rastreamento via satélite para as novas viaturas da SSPDS. Os dados são do Portal da Transparência do Estado.

O valor registrado nos custos de manutenção dos serviços de comunicação, cuja previsão era de R$ 4,7 milhões entre 2010 e 2015, foi de R$ 1.048.727,33 à empresa Levi Assistência Técnica Autorizada.

Viaturas novas

Os problemas não se restringem aos carros modelo Hilux, adquiridos da Toyota a partir de 2008, primeiro ano da gestão de Cid Gomes, antecessor do governador Camilo Santana. As 30 novas viaturas, de modelo Duster (Renault), que custaram R$ 1,5 milhão, já são alvos de críticas.

De acordo com um terceiro soldado ouvido pelo Tribuna do Ceará, que também pede para ter o nome resguardado, por receio de punições da Polícia Militar, das 20 viaturas disponibilizadas para a patrulha em bairros nobres de Fortaleza, metade não tem sistema de comunicação.

“A gente não está atendendo nenhuma ocorrência via Ciops. Na verdade, as viaturas novas são do ano de 2014. A gente usa o celular pessoal. De 20 carros no total que estão à disposição, só uns 10 têm rádio; os outros 10, não. Estão substituindo o TMD (Terminal Móvel de Dados) por tablets, mas ainda não estão sendo utilizados. O próprio GPS que vem no tablet não funciona”, relata o policial.

A comunicação também falha na integração de ocorrências. Sem GPS e comunicação eficiente com as viaturas, os policiais relatam que a Ciops não consegue identificar onde há viaturas mais próximas dos locais de ocorrências.

Eles também pontuam que há dificuldade em utilizar o TMD devido à obsolência do aparelho. O espaço limitado para digitação de texto e a lentidão na comunicação com a Ciops prejudicam abordagens.

“Toda noite em que estou de serviço na rua, faço uma abordagem e preciso fazer uma consulta de placa, por exemplo, o sistema não funciona. O sistema está fora do ar. Se tem uma pessoa com um mandado de prisão em aberto, você não prende porque não tem como checar”, reclama o cabo.

“Se tem uma pessoa com um mandado de prisão em aberto, você não prende porque não tem como checar”.

 

26 de JUN de 2016 às 10:38:45
Fonte: Tribuna do Ceará