O Palácio do
Planalto avalia que a ligeira melhora nos índices de aprovação da presidente
Dilma Rousseff revelados em pesquisa do Datafolha é resultado da estratégia de
dar maior exposição à petista.
“O Datafolha mostra
que o governo ainda tem um caminho muito longo a percorrer, mas que também
existe abertura na sociedade para que a gente possa defender nossas ideias”,
disse o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva.
“É nítido que a melhora
tem ligação com o fato de a presidente ter entrado diretamente no debate”,
completou o ministro.
Segundo o
Datafolha, o número de pessoas que considera o governo Dilma ruim ou péssimo é
de 65%. Em agosto esse número chegou a 71%. Já aqueles que avaliam o governo
Dilma bom ou ótimo é de 12%. Este índice chegou a ser de apenas 8% em agosto e
10% em novembro.
Na cúpula do PT, o
resultado foi recebido com cautela. “Está tudo dentro da normalidade. A
pesquisa reflete uma percepção ainda leve das pessoas de que a substituição do
governo não é o caminho para sairmos dessa situação”, afirmou o presidente do
diretório estadual do PT em São Paulo, Emidio de Souza.
Petistas avaliam
que com a intensificação do debate sobre o impeachment, parte da população tem
assimilado melhor a versão do governo. “A população começa a ter uma visão
melhor do governo Dilma ao mesmo tempo em que vai afastando a ideia de
impeachment”, avaliou o vice-líder do governo na Câmara, Paulo Teixeira
(PT-SP), integrante do diretório nacional do PT.
De acordo com o
levantamento, 65% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma contra 30% que
defendem a manutenção do mandato da petista.
Para 82% dos
consultados pelo Datafolha, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
deveria ter o mandato cassado enquanto 8% acham que ele deve ser mantido no
posto.
Segundo o
instituto, 58% dos entrevistados avaliam que o vice-presidente, Michel Temer
(PMDB), seria pior ou igual a Dilma, caso venha a assumir o governo, e 30%
acreditam que o vice faria uma administração melhor do que a da petista.
Sucessão
Faltando dois anos
e meio para o início da disputa pela sucessão de Dilma da Presidência, o
Datafolha aponta o senador Aécio Neves (PSDB-MG) como favorito. O tucano teria
26% ou 27%, conforme o cenário, contra 20% de Lula, 19% de Marina Silva (Rede),
6% de Ciro Gomes (PDT), 4% de Jair Bolsonaro (PP), 2% de Luciana Genro (PSOL) e
1% de Eduardo Paes (PMDB) e Eduardo Jorge (PV).
Nos cenários em que
o senador mineiro é substituído pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin
(PSDB), Marina lidera com 24%, Lula tem 21% ou 22% e Alckmin 14%.
Lula lidera a
rejeição com 48% contra 26% de Aécio e Temer, 21% de Alckmin e 17% de Marina,
Ciro e Bolsonaro.
Para o PT, o alto
índice de rejeição reflete o mau momento do partido e as investigações das
operações Lava Jato e Acrônimo da Polícia Federal.
O Datafolha
entrevistou 2.810 pessoas nos dias 16 e 17. A margem de erro da pesquisa é de
dois pontos porcentuais.