Ipaumirim. Dor, emoção e uma lição de amor dos pais e
parentes. Esses foram sentimentos que se externaram nos últimos três meses na
família de José Isaac, um bebê que nasceu com microcefalia, em 30 de outubro
passado, e morreu na madrugada desta quinta-feira, 18, nesta cidade, no
Centro-Sul do Ceará, distante 425 km de Fortaleza. O enterro ocorreu no fim da
tarde de ontem, acompanhado por centenas de moradores. A morte dele ainda não
aparece nas estatísticas oficiais. De acordo com boletim da Secretaria de Saúde
do Estado (Sesa) até o último dia 15, haviam sido notificados 9 óbitos por
microcefalia.
Sob aplausos, o
caixão saiu da casa dos pais e percorreu ruas da cidade ao som da música
religiosa 'Campeão Vencedor'. Ao chegar ao Cemitério Santa Terezinha, a mãe,
Kelly Sabrina Gonçalves da Silva, 23 anos, precisou ser amparada por parentes.
"Ele iria começar tratamento de fisioterapia, queria que vivesse, dei todo
amor possível", disse. "É uma dor muito forte que estou
sentindo". A esperança na continuidade da vida foi substituída por um
sentimento de dor.
O caso chamou a
atenção de moradores. A pequena cidade parou no fim da tarde de ontem. Nas
calçadas, mulheres se emocionaram e choraram na passagem do cortejo fúnebre.
"A morte de Isaac não é mais só um caso estatístico, mas um acontecimento
para chamar a atenção das autoridades", disse o farmacêutico, Franceildo
Félix.
A tia de Isaac,
Georgia Gonçalves, professora, frisou que alguns buscam a legalização do aborto
de crianças com microcefalia. "Nós valorizamos a vida, mesmo com
deficiência queríamos que ele vivesse". José Isaac Gonçalves foi enterrado
com uma camisinha de super- homem e uma singela placa de madeira com a
inscrição 'Isaac, nosso príncipe', que foi levada pela mãe ao longo do cortejo.
O drama de Isaac foi mostrado na edição do último domingo do Diário do
Nordeste.