O ministro das
Relações Exteriores, José Serra, encontra resistência interna no Itamaraty para
implementar seu plano de fechar embaixadas do Brasil no exterior. Uma comissão
será formada para estudar de que maneira postos no exterior serão encerrados,
num esforço de reduzir custos. Mas o debate interno já é intenso, com grupos
alertando para iniciativas que poderiam ser prejudiciais, inclusive
economicamente.
Fontes do alto
escalão da chancelaria indicaram que, na sexta-feira passada, um pedido chegou
às divisões que se ocupam das relações com a África ordenando que cinco
embaixadas fossem escolhidas para que entrassem numa avaliação dos postos que
seriam fechados. Segundo as fontes, apenas 45 minutos teriam sido dados para
que os diplomatas respondessem à solicitação.
A forma encontrada
foi a de sugerir o fechamento de apenas duas embaixadas, em Serra Leoa e na
Libéria. Em ambos os casos, o critério usado foi o de que esses países não
haviam adotado um princípio da reciprocidade, não contando com embaixadas no
Brasil. Politicamente, o País teria mais espaço para justifica essas decisões.
Ao Estado, a
assessoria de imprensa do Itamaraty disse que a informação não era correta e
apenas indicou que “uma comissão produzirá um estudo à respeito”. Segundo a
assessoria, não há nada decidido, nem sobre as embaixadas e nem sobre a
quantidade.
Com um rombo
inédito em suas contas, a chancelaria deve R$ 3,2 bilhões às entidades
internacionais e corre o risco de perder poder de voto em algumas delas. Serra
pediu R$ 800 milhões ao governo para sanar parte das dívidas e tentar reduzir
custos.
Ainda que nenhuma
decisão tenha sido tomada ainda, a reportagem apurou que mesmo a informação
sobre a possível inclusão desses dois nomes causou críticas internas. Para um
grupo que atua nessa área dentro do Itamaraty, o fechamento desses postos
poderia causar até mesmo um aumento imediato dos custos, com mudanças,
rompimento de contratos e outros compromissos financeiros.
Críticas
Mas é pelo impacto
político que o fechamento de embaixadas mais gera críticas. O ex-ministro Celso
Amorim tem declarado a pessoas próximas da cúpula do Itamaraty que, se essas
embaixadas forem fechadas, é o fim da política de “não indiferença”, uma
postura de política externa que o Brasil havia adotado de não abandonar as
crises mais profundas do mundo.
Nos últimos anos, a
Libéria havia se tornando um exemplo de um país africano que tenta sair de uma
situação de extrema pobreza. A presidente Ellen Johnson Sirleaf foi escolhida
como prêmio Nobel da Paz de 2011 e foi a primeira mulher a assumir um governo
na África.
Serra Leoa ainda
tenta se recuperar da crise deixada pelo ebola e, para diplomatas do setor
africano, ao deixar o país o Brasil daria um sinal de estar abandonando seu
compromisso com o desenvolvimento. As informações são do jornal O Estado de S.
Paulo.