O diagnóstico de câncer deixa
pacientes e familiares em condições emocionais muito frágeis e os tratamentos
convencionais, como radioterapia e quimioterapia, tratam apenas o aspecto
físico. Uma alternativa complementar à medicina tradicional é o movimento de
origem norte-americana, a medicina integrativa, que trata os pacientes de forma
holística e humanista. A necessidade desse tipo de abordagem médica motivou a
médica onco-hematologista, Paola Tôrres Costa, a pesquisar práticas
integrativas e a fundar em Fortaleza, o Instituto Roda da Vida, no ano de 2012.
Em entrevista ao O POVO Online, a
especialista conta que há 27 anos trata de pessoas com câncer e percebeu que
durante os tratamentos elas precisavam de “um suporte maior, algo além do
tratamento convencional que ajudasse a ressignificar suas vidas”. O
instituto surge para proporcionar o bem-estar do corpo e mente dos pacientes a
partir de atividades lúdicas e harmônicas com familiares e profissionais da
saúde.
“A medicina integrativa não olha só
para doença, olha para o paciente e para as pessoas que o cercam”, afirma a
médica. Para Paola, o diagnóstico da doença é duro, mas é preciso desmistificar
e dar apoio para que as pessoas possam encarar o tratamento sem preconceitos.
Entre as premissas da Medicina
integrativa que estão presentes no instituto estão o uso de métodos e
terapêuticas naturais, atividades de autoconhecimento e desenvolvimento,
meditação e atividades que permitam uma interação com pessoas do convívio
familiar do paciente.
Muitas vezes, o desconhecimento e o
olhar preconceituoso podem interferir negativamente no tratamento. Paola alerta
que os pacientes precisam mudar a forma de encarar a doença. Para a fundadora
do instituto, “o câncer não pode ser encarado como uma sentença de morte e
alerta que o isolamento pode prejudicar o tratamento. É preciso desmistificar
esse pensamento e dar apoio para que as pessoas possam dar um novo significado
para suas vidas”.
Entre as atividades oferecidas aos
pacientes está a roda de cantoria em que os pacientes interagem com os
profissionais da saúde cantando, que faz parte do Programa Integrativo
Intensivo de Apoio e Revitalização (Priintar) . A médica conta que as oficinas
de bordados também são bastante procuradas. “Os pacientes ficam bordando,
conversando e esquecem até que estão doentes”.
Os pacientes que queiram participar
do instituto podem marcar uma conversa com um psicólogo.