Os bancários completaram a terceira semana
paralisados no Ceará no início desta terça-feira (27) com adesão de 430 das 562
agências no estado, que representa 76,5% do total. O balanço é do sindicato da
categoria. Uma nova rodada de negociações está marcada para esta tarde, a
partir de 14 horas, entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e o Comando
Nacional dos Bancários, em São Paulo.
Em Fortaleza, a categoria articulou um ato, com concentração na Caixa Econômica
Federal da Praça do Ferreira, às 16 horas, para depois seguir à sede do
sindicato, na Rua 24 de Maio, também no Bairro Centro.
O diretor do sindicato no Ceará, Bosco Mota, avalia que quando estão previstas
negociações, são os dias de mobilização mais forte. "Eles [Fenaban] só
negociam dessa forma. Mesmo com os bancos com muito lucro, não resolve a
campanha, mas tem que resolver. Temos inflação de 10%, com 7% negociado na
mesa. É um absurdo", opina.
Agências
fechadas
Nesta segunda-feira (26), das 259 unidades existentes em Fortaleza, 208 fecharam,
ou seja, 80%. Já no interior, das 303 agências, 222 ficaram sem funcionar, que
representa 73,2%.
Sem acordo até o momento, a greve dos bancários completou 21 dias nesta
segunda-feira (26). A paralisação começou no dia 6.
A última proposta apresentada
pelos bancos no dia 9 de setembro foi de reajuste de 7% para os salários e benefícios, mais abono de R$
3.300 a ser pago até 10 dias após a assinatura do acordo. A proposta foi
recusada pelos sindicatos.
Os bancários querem reposição da inflação do
período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial - no valor do
salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho) -, PLR de três
salários mais R$ 8.317,90, além de outras reivindicações, como melhores
condições de trabalho
Segundo o último balanço da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro (Contraf-CUT), a greve fechou 13.420 agências na segunda-feira (26).
A Fenaban não tem divulgado balanços diários de agências fechadas, mas informa
que a população tem à sua disposição uma série de canais alternativos para
realizar transações financeiras.
De acordo com o Banco Central, o país tem 22.676 agências bancárias instaladas,
segundo último balanço.
Negociações
A categoria já havia rejeitado a primeira proposta da Fenaban - de reajuste de
6,5% sobre os salários, a PLR e os auxílios refeição, alimentação, creche, e
abono de R$ 3 mil. A proposta seguinte, também rejeitada, foi de reajuste de 7%
no salário, PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, além de abono de
R$ 3,3 mil.
Os sindicatos alegam que a oferta não cobre a inflação do período e representa
uma perda de 2,39% para o bolso de cada bancário. Os bancários querem reposição
da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial -
no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho) -, PLR
de três salários mais R$ 8.317,90, além de outras reivindicações, como melhores
condições de trabalho.
A Fenaban disse em nota que a última proposta apresentada "resulta numa
remuneração superior à inflação prevista para os próximos doze meses, com ganho
expressivo para a maioria dos bancários".
Atendimento
Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lembra que os clientes
podem usar os caixas eletrônicos para agendamento e pagamento de contas (desde
que não vencidas), saques, depósitos, emissão de folhas de cheques,
transferências e saques de benefícios sociais.
Nos correspondentes bancários (postos dos Correios, casas lotéricas e
supermercados), é possível também pagar contas e faturas de concessionárias de
serviços públicos, sacar dinheiro e benefícios e fazer depósitos, entre outros
serviços.
Greve
passada
A última paralisação dos bancários
ocorreu em outubro do ano passado e teve duração de 21 dias, com agências de bancos públicos e privados
fechadas em 24 estados e do Distrito Federal. Na ocasião, a Fenaban propôs
reajuste de 10%, em resposta à reivindicação de 16% da categoria.