A Justiça derrubou nesta terça-feira (20) a decisão
liminar que obrigava que os bancários, em greve há duas semanas, trabalhassem
por pelo menos duas horas nas agências que funcionam em fóruns ou em parceria
com o poder Judiciário.
A decisão liminar foi obtida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na semana passada, e foi cumprida
até esta terça-feira (20) pelo Sindicato dos Bancários do Ceará. A decisão é do
desembargador Jefferson Quesado Júnior.
No Ceará, segundo o sindicato da categoria,
75% das agências do estado estão fechadas em adesão à greve.
Greve
nacional
Em seu 14º dia, a greve dos bancários fechou
13.071 agências em todo o pais,
segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf-CUT), o que, segundo o sindicato, representa 56% do total e o maior
número de agências fechadas já registrado em greves da categoria.
De acordo com o Banco Central, o país tem 22.676
agências bancárias instaladas.
Na última rodada de negociação, realizada na
quinta-feira (15), não houve acordo sobre o reajuste reivindicado pelos
bancários, e o sindicato manteve a orientação pela continuidade da greve.
Segundo a Contraf, os bancos reapresentaram a proposta que já haviam feito na
reunião de terça-feira (13).
Reivindicações
A categoria havia rejeitado a primeira proposta
da Fenaban - de reajuste de 6,5% sobre os salários, a PLR e os auxílios
refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A proposta seguinte, também
rejeitada, foi de reajuste de 7% no salário, PLR e nos auxílios refeição,
alimentação, creche, além de abono de R$ 3,3 mil.
Os sindicatos alegam que a oferta não cobre a
inflação do período e representa uma perda de 2,39% para o bolso de cada
bancário. Os bancários querem reposição da inflação do período mais 5% de
aumento real, valorização do piso salarial - no valor do salário mínimo
calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho) -, PLR de três salários mais R$
8.317,90, além de outras reivindicações, como melhores condições de trabalho.
A Fenaban disse em nota que "o modelo de
aumento composto por abono e reajuste sobre o salário é o mais adequado para o
atual momento de transição na economia brasileira, de inflação alta para uma
inflação mais baixa".