Contrariando a recomendação do TCU
(Tribunal de Contas da União), o relator das chamadas pedaladas fiscais na
Comissão Mista de Orçamento do Congresso, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), apresentou
seu parecer ontem pedindo a aprovação com ressalvas das contas de 2014 da
presidente Dilma.
Em outubro, o TCU recomendou, por
unanimidade, que as contas fossem reprovadas por considerar que a presidente
descumpriu no ano passado a Constituição e as leis que regem os gastos
públicos. Como consequência disso, a União tem que pagar cerca de R$ 57 bilhões.
O Congresso é quem dá a palavra final
sobre a aprovação das contas de um presidente. Dessa forma, os deputados e
senadores decidirão se mantêm a decisão de Gurgacz ou se retomam o entendimento
do TCU. Na apresentação do seu parecer aos jornalistas, Gurgacz argumentou que
é preciso ter cuidado para não criar, ao se reprovar as contas, uma
jurisprudência que possa trazer um engessamento das administrações públicas nos
três níveis: federal, estadual e municipal.
“Temos 14 Estados que nesse ano não cumpriram
a meta fiscal. Estados governados por vários partidos. Por isso a importância
de fazermos um relatório baseado na legalidade, na Constituição e não só
baseado no presidente atual mas na condição de gestão dos governos”, afirmou
Gurgacz. O senador destacou que as ressalvas se referem, principalmente, às
pedaladas fiscais praticadas por Dilma no ano passado e a falta de planejamento
para quitar a dívida com restos a pagar de 2012 a 2014. “Estamos colocando que
tem que se ter um planejamento. Essas contas precisam ser pagas e é preciso ter
um planejamento para equilibrarmos nosso Orçamento”, disse. Ele, no entanto,
afirmou não acreditar que essas contas podem ser ajustadas no próximo ano.
Tramitação
O relatório foi entregue à comissão
nesta terça, com dois dias de atraso. Como o Congresso entra em recesso a
partir desta quarta, 23, e só retoma seus trabalhos em 2 de fevereiro, os
prazos ficarão suspensos neste período.
Quando a comissão voltar a trabalhar,
os seus integrantes terão até o dia 13 para apresentar emendas ao relatório. Em
seguida, o relator terá até 15 dias para apresentar seu parecer final. O
colegiado, então, terá sete dias para colocar o relatório em votação. Votado,
ele será transformado em um projeto de decreto legislativo que terá que ser
analisado pelo plenário do Congresso, que une a totalidade da Câmara e do
Senado.
Até o dia 11 de março, a comissão
terá que enviar a decisão da comissão para o plenário do Congresso.
Independente da decisão da CMO, o plenário terá que dar a palavra final sobre a
aprovação ou reprovação das contas de Dilma.