A nomeação de Luiz
Inácio Lula da Silva como ministro sinaliza mudanças da política econômica para
uma direção não desejada por investidores estrangeiros, segundo analistas.
Ainda que a presidente Dilma Rousseff rechace a ideia de guinada, as análises
são de que o governo deverá ser mais proativo no esforço de retomar o
crescimento com iniciativas criticadas, como aumento dos gastos públicos e uso
de bancos públicos para incentivar o crédito. Com isso, há temor de que
reformas prometidas para arrumar a situação fiscal sejam engavetadas em
Brasília.
Analistas
estrangeiros acreditam que, além do papel político, Lula na Casa Civil poderia
determinar a mudança da agenda de prioridades econômicas com um tom mais
desenvolvimentista. A analista sênior de risco soberano da agência de
classificação de risco Moody’s, Samar Maziad, entende que a mudança no gabinete
de Dilma Rousseff sugere um governo mais propenso a reabrir a torneira dos
gastos em detrimento do esforço para o ajuste das contas. Ela lembra que a nota
do Brasil tem perspectiva negativa. Portanto, um novo rebaixamento pela Moody’s
é possível.
A percepção é
semelhante na agência Fitch. A diretora de ratings soberanos para América
Latina, Shelly Shetty, nota que “receios sobre a trajetória fiscal vão
continuar prejudicando a confiança” na economia brasileira. Por isso, a
diretora diz que a instituição continuará monitorando atentamente os
desdobramentos políticos e econômicos no Brasil.
Entre os itens
polêmicos mais citados pelos analistas estão o incentivo ao crédito por meio
dos bancos estatais, aumento de gastos em programas simbólicos do governo, como
o Bolsa Família, e a pressão para a redução do juro pelo Banco Central em um
período em que o governo não tem dinheiro em caixa e a inflação segue muito
acima da meta. Se esse tipo de agenda econômica for executada, há o temor de
que o governo adie ou mesmo engavete as reformas estruturais, como a da
Previdência.
Receita
Ainda que essa possível
agenda econômica tenha funcionado após o estouro da crise em 2008, o mesmo
receituário não deve fazer o mesmo efeito em 2016, diz o economista para o
Brasil do banco espanhol BBVA, Enestor dos Santos. “Naquela época, tínhamos
dívida pública baixa, o governo podia gastar mais, bancos públicos tinham
posição financeira muito melhor e, como a inflação estava caindo, o BC podia
cortar juro. Hoje, está tudo ao contrário.”
Dado o momento de
forte incerteza, não parece que Lula terá o mesmo magnetismo que tinha em seus
dois mandatos anteriores, avalia o gestor da Janus Capital nos EUA, Dan
Raghoonundon. No caso de rumores da troca de comando do BC, o analista avalia
que os investidores podem não mais estar dispostos a dar o benefício da dúvida
para um novo presidente escolhido por Lula.