O Brasil registrou,
nos dez primeiros meses do ano passado, 63.090 denúncias de violência contra a
mulher – o que corresponde a um relato a cada 7 minutos no País.
Os dados são da
Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR),
a partir de balanço dos relatos recebidos pelo Ligue 180. Entre estes
registros, quase metade (31.432 ou 49,82%) corresponde a denúncias de
violência física e 58,55% foram relatos de violência contra mulheres negras.
O Ligue 180 também
registrou 19.182 denúncias de violência psicológica (30,40%), 4.627 de
violência moral (7,33%), 3.064 de violência sexual (4,86%) e 3.071 de cárcere
privado (1,76%).
Os atendimentos
registrados mostram ainda que 77,83% das vítimas têm filhos e que mais de 80%
destes filhos presenciaram ou também sofreram a violência.
Os dados mostram
ainda que, entre os relatos de violência, 85,85% corresponderam a situações em
ambiente doméstico e familiar. Na maioria dos relatos (67,36%), as violências foram
cometidas por homens com os quais as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo
afetivo, como cônjuges, namorados, ex-cônjuges ou ex-namorados. Em cerca de 27%
dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.
Mortes. Dos 4.762
homicídios de mulheres registrados em 2013, 50,3% foram cometidos por
familiares, sendo que a maioria desses crimes (33,2%) tem parceiros ou
ex-parceiros como autores. De cada sete feminicídios, quatro foram praticados
por pessoas que tiveram ou tinham relações íntimas de afeto com a mulher.
A situação é ainda
mais preocupante em relação às mulheres negras – entre este grupo, o número de
mortes aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em
2013. Na mesma época, a quantidade de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%,
de 1.747 para 1.576.
Carnaval. Dados
recentes, relativos ao carnaval de 2016, mostram que os relatos de
violência contra a mulher quase triplicaram neste período, em relação ao
período equivalente no ano passado. Um total de 3.174 mulheres telefonou para o
Ligue 180 entre 1º e 9 de fevereiro deste ano, enquanto que no feriado de 2015
foram 1.158. Repetindo a tendência das outras épocas do ano, o tipo de
violência mais comum foi a física, relatada em 1.901 casos, seguida pela
psicológica.
Reportagem
publicada nesta terça-feira, 8, pelo Estado mostra que o número
de denúncias de violência doméstica e familiar contra a mulher em São Paulo,
recebidas nas varas especializadas do Tribunal de Justiça, caiu 12% no ano
passado. O TJ-SP recebeu 5.659 denúncias em 2015, ante 6.421 em 2014. Houve
queda ainda de 6,2% no número de inquéritos instaurados de violência contra a
mulher – de 14.476 para 13.573.
Quatro juristas
ouvidos pelo Estado atribuem a queda nos dois índices à
conscientização das mulheres e às punições aos agressores – garantidas nos
últimos dez anos pela Lei Maria da Penha -, mas destacam ainda o pouco valor da
palavra da vítima como prova para as autoridades judiciais.
Enem. No ano
passado, o tema da redação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) foi a violência
contra a mulher. A proposta foi comemorada por movimentos ligados à promoção
dos direitos das mulheres. Em entrevista ao Estado, Maria da Penha Maia
Fernandes, de 70 anos, cuja história inspirou a aprovação da Lei 11.340,
ressaltou a importância de levantar esse debate em todo o País. O
Ministério da Educação informou que, em 55 redações, foram relatados
“depoimentos contundentes” sobre o tema.
Denuncie. O número 180 da
Central de Atendimento à Mulher recebe denúncias e orienta mulheres
vítimas de violência. As denúncias recebidas são encaminhadas aos sistemas de
Segurança Pública e Ministério Público de cada um dos Estados e do Distrito
Federal. Após o recebimento da denúncia, a central dá início à apuração. As
ligações são gratuitas e o serviço funciona 24 horas.
Também é possível
denunciar por meio do aplicativo Clique 180. A ferramenta, desenvolvida
pela ONU Mulheres, em parceria com a SPM e apoio da Embaixada Britânica, atende
mulheres em situação de violência e pessoas que não compactuam e querem ajudar
denunciando as agressões.