O gari Roberto Sousa Bezerra, de 44 anos, devolveu a um técnico de uma empresa de comunicação um celular de R$ 2,3 mil que encontrou em uma rua na área central da capital federal. O valor do aparelho é equivalente ao dobro do salário dele. O fato ocorreu na última sexta-feira (21), quando o homem fazia uma pausa no trabalho para almoçar.
Eu ia encostando o carrinho, que eu trabalho com ele junto com uma lixeira que tem em frente ao Venâncio 2000. Eu fui ao banheiro lavar as mãos e voltei para a gente almoçar. Quando passei, tinha um pessoal tocando forró e vi o celular no chão”, contou.
Ele afirma que, ao encontrar o telefone, tentou achar algum número no celular para ligar e avisar sobre o ocorrido, mas teve dificuldade no acesso.
“Era um bichão caro, brancão, grandão, até para abrir ele pedia a senha, então não tinha como eu ligar. Alguns minutos depois, o dono ligou, eu atendi e aí deu para devolver. Por incrível que pareça, até para atender deu trabalho.”
Os dois combinaram de se encontrar em um restaurante, mas o técnico Leonardo Rodrigues, de 32 anos, não conseguiu achar Bezerra. Foi então que o gari teve a ideia de entregar o aparelho no trabalho do dono. “Se eu ficasse com um celular desse eu não ia ficar tranquilo, sossegado, minha consciência ia ficar pesada, e graças a Deus nunca gostei de nada que não me pertence”, declarou.
“Por mais ruim que eu esteja, gosto de ter o que vem do meu suor. O que não é meu não me convém. Não me deram nada, eu achei, mas sabia que tinha um dono. Um aparelho é uma ferramenta até de trabalho, então no meu pensar tinha que entregar de toda maneira.”
Ao ter o celular devolvido, Rodrigues ficou aliviado. Como forma de agradecimento, ele insistiu em dar uma ajuda de custo ao gari de R$ 100.
“É um aparelho um pouco caro, alguém que acha às vezes quer tirar vantagem de algum jeito ou passar para frente ou ficar com ele mesmo. O Roberto é um exemplo porque por ser um gari, as pessoas não dão valor, mas ele é um belo exemplo para a profissão dele de caráter, humildade e simplicidade.”