O ex-diretor da Petrobras Renato Duque, preso na 10ª fase da Operação Lava Jato, chegou a Curitiba nesta segunda-feira (16), onde deve ficar detido. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e foi detido junto com outros sete investigados por desvios de dinheiro da Petrobras. Com ele, outras quatro pessoas detidas nesta segunda devem ficar na Superintendência da Polícia Federal, na capital paranaense.
Duque desembarcou na capital paranaense em um avião de carreira, que partiu do Rio de Janeiro, onde ele foi detido, em casa. Esta é a segunda vez que ele termina preso durante as investigações da Lava Jato. Em dezembro, quando os policiais deflagraram a sétima fase da operação, o ex-diretor foi detido, mas conseguiu um habeas corpus dias depois.
Ele foi apontado pelo Ministério Público Federal como beneficiário de dinheiro desviado da Petrobras, por meio de contratos superfaturados, com construtoras que prestavam serviços à estatal. Na época em que trabalhou na empresa, ele chegou ao cargo de Diretor de Serviços. Contra ele conta o depoimento de um subordinado, Pedro Barusco, que exercia o cargo de gerente da mesma área. Barusco fez um acordo de delação premiada e já devolveu mais de R$ 100 milhões desviados dos cofres da estatal.
Chefe do esquema
Durante os depoimentos, Barusco disse que quem chefiava o esquema na área de Serviços era Renato Duque. No despacho que definiu a prisão do ex-diretor, o juiz federal Sérgio Moro aceitou os argumentos do Ministério Público Federal de que ele continuava lavando dinheiro no exterior, mesmo após a deflagração da Lava Jato, em março de 2014.
O magistrado afirmou na decisão que o ex-diretor de Serviços da Petrobras "esvaziou" suas contas na Suíça e enviou € 20 milhões para contas secretas no principado de Mônaco. O dinheiro, que não havia sido declarado à Receita Federal, acabou bloqueado pelas autoridades do país europeu.
Ainda de acordo com o juiz, há indícios de que Renato Duque mantém outras contas correntes nos Estados Unidos e em Hong Kong.
O MP, que solicitou o bloqueio dos recursos em Mônaco, acredita que Duque transferiu o dinheiro para o principado e para outros países por receio de que o dinheiro fosse apreendido, como ocorreu com o ex-diretor de Refino e Abastecimento da petroleira Paulo Roberto Costa.
"Os indícios são de que Renato Duque, com receio do bloqueio de valores de suas contas na Suíça, como ocorreu com Paulo Roberto Costa, transferiu os fundos para contas no Principado de Mônaco, esperando por a salvo seus ativos criminosos", diz o magistrado no documento.
Na decisão, Sérgio Moro afirmou que a quantia apreendida em Mônaco, e não declarada ao fisco, é "incompatível" com os rendimentos de Duque na Petrobras.
O juiz responsável pela Lava Jato na primeira instância destacou no despacho que a prisão de Duque se justifica para evitar o crime de lavagem e a transferência do dinheiro para outras contas, o que dificultaria o rastreamento e a recuperação dos recursos. Com Duque ainda foram apreendidas 131 obras de arte, cujo valor total não foi informado.