Os Jogos Parapan-Americanos, em Lima, no Peru, começaram. A maior delegação brasileira na história do evento, com 337 atletas relacionados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), tem um objetivo ousado: conquistar bons resultados e prolongar o reinado brasileiro como campeão absoluto no evento. Desde 2007, no Rio, o País é líder incontestável no quadro de medalhas.
Sete cearenses integram a seleta lista de atletas e podem se consagrar entre os melhores das Américas em cinco diferentes modalidades: atletismo, bocha, natação, basquete em cadeira de rodas e tênis de mesa - as últimas duas garantem classificação direta para os Jogos Paralímpicos 2020, em Tóquio, no Japão.
De experientes competidores a novatos, os cearenses possuem uma multiplicidade de histórias, mas o que os une é a vontade de superar desafios mesmo sem contar com apoio ou condição financeira.
Os cearenses
Natural de Aquiraz, Clariene Abreu participa pela 1ª vez do Parapan. Dentre os cearenses, a atleta é a que tem início de carreira mais recente. Começou em 2016 e, desde então, é destaque em competições regionais e nacionais de atletismo. Clariene vai representar o Brasil nas provas de salto em distância e 100 metros.
Competindo no Parapan pela 5ª vez, o mesatenista David Andrade tenta conquistar o bicampeonato após ser medalhista no Canadá, em 2015. Apesar da experiência, David ainda sente dificuldades em financiar a própria carreira por conta dos escassos investimentos destinados ao esporte. "As maiores dificuldades não são os meus adversários, é a falta de apoio".
A nadadora Edênia Garcia é a mais reconhecida entre os cearenses. Começou aos 15 anos e já tem quase 20 anos de carreira. Neste Parapan, vai nadar em três diferentes provas: 50m livre, 100m livre e 50m costas. Confiante, a veterana busca levar o 5º ouro para casa, mesmo com um novo desafio: adaptar-se à nova categoria após agravamento da deficiência.
Francisco Jefferson de Lima é natural de Pindoretama e vai competir no lançamento de dardos pela 2ª vez em um Parapan. Medalhista em 2011, nos Jogos de Guadalajara, no México, Jefferson mira a 2ª conquista e já se encontra em Lima no processo de adaptação ao clima da cidade.

Auxiliar administrativo em uma empresa de transportes há 11 anos, Francisco Wellington divide rotina intensa entre trabalho e treinos. Representante do tênis de mesa adaptado, o atleta tem duas participações em Parapans - em 2007, no Rio, e em 2011, em Guadalajara. Ele já estreou, inclusive, e bateu seu 1º adversário.
Na bocha, Maciel Santos é hoje, aos 33 anos, o atleta mais experiente da Seleção Brasileira. Conheceu o esporte por meio de um amigo, começou a competir aos 15 anos, e já se sagrou campeão paralímpico, em Londres 2012, e pan-americano, em Toronto 2015. Maciel é forte candidato a mais um título em Lima.
Pivô da Seleção Brasileira Feminina de basquete em cadeira de rodas, Oara Uchôa tem empolgação de sobra para seu 1º Parapan e é a única cearense a representar um clube do Estado - fechou parceria com o Fortaleza. "É meu primeiro Parapan, impossível não ter ansiedade".