Faltando menos de
duas semanas para o envio ao Congresso Nacional da lei orçamentária de 2017, o
ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, garantiu que não haverá surpresa
e que o governo fechará as contas do ano que vem sem aumento de tributos. A proposta
do Orçamento, afirmou, será feita com mais cortes nas despesas para garantir o
cumprimento da meta de fiscal de 2017, de déficit de R$ 139 bilhões.
Padilha disse que
revisões na concessão de seguros por causa de acidentes de trabalho podem
economizar de R$ 5 bilhões a R$ 7 bilhões por ano. "Estamos trabalhando
com a possibilidade de cortar despesas em muitas áreas", afirmou Padilha.
Segundo ele, o aumento das receitas previstas virá da retomada da economia e do
Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
'Mar de oportunidades'
"O presidente
Michel (Temer) e a área econômica entendem que o Orçamento de 2017 fechará sem
aumentar ou criar tributos. Por quê? Temos um mar de oportunidades para
parcerias com o setor privado, pelas quais a União receberá valores de outorgas
também", disse.
A proposta de
Orçamento tem de ser enviada até o dia 31 de agosto, mesmo dia previsto para o
julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Mas o ministro
disse que essa coincidência de data não atrapalhará o projeto de lei. "A
limitação das despesas, com o estabelecimento do teto, interessa a todo
cidadão, mais do que aos eventuais governantes".
Decisão antes das eleições
Padilha rebateu as
críticas de que o governo vai deixar o encaminhamento da agenda econômica no
Congresso para depois das eleições municipais. "Negativo. Não poderemos
deixar as medidas saneadoras para depois. Caso contrário, dificilmente
poderemos votar as medidas este ano", ponderou. Ele informou que a reforma
da Previdência será fechada depois da efetivação de Temer na presidência e
antes das eleições municipais de outubro.
Para ele, após o
impeachment, Temer terá maior força e credibilidade para negociar a aprovação
das medidas no Congresso. "Ele (Temer) somará essas duas qualidades: o presidente
e o respeitado conhecedor e operador do Congresso", defendeu o
ministro-chefe.
Meirelles é indispensável
Depois da pressão
política contra o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sobretudo de
lideranças do PSDB, Padilha minimizou o problema. "O PMDB tem um projeto
de que o governo Temer tem de dar certo. E o ministro Meirelles é pessoa
indispensável para alcançar esse objetivo", disse. Ele acrescentou que não
"há ninguém" no PMDB com ação para desprestigiar o ministro da Fazenda
e sua equipe.
Na estratégia de
fortalecer a agenda de negociação das medidas econômicas, Meirelles começa
nesta segunda-feira (22) uma série de reuniões das bancadas de parlamentares de
partidos da base do governo para falar sobre a Proposta de Emenda
Constitucional (PEC) do teto de gasto e do projeto de lei orçamentária.