O Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na
Adolescência da Assembleia Legislativa apresentou nesta quarta-feira (14), em
sessão especial, o relatório desenvolvido em parceria com a Organização das
Nações Unidas (ONU) para apresentar medidas de combate à violência contra
adolescentes no Ceará.
O documento apresenta 12 recomendações para políticas públicas com o objetivo
de reduzir o assassinato de jovens, que inclui apoio e proteção às famílias
vítimas de violência; ampliação da rede de programas e projetos sociais a
adolescente vulnerável ao homicídio; qualificação urbana dos territórios
vulneráveis; busca ativa para inclusão no sistema escolar; prevenção do contato
precoce com drogas e mediação de conflitos e proteção a ameaçados.
Além desses, o documento também defende atendimento
integral no sistema de medidas socioeducativas; oportunidades de trabalho com
renda; formação de policiais na abordagem ao adolescente; controle de armas de
fogo e munições; mídia sem violações de direitos e responsabilização dos
homicídios.
Cidades
mais violentas e atuação das prefeituras
O relator do Comitê, deputado Renato Roseno (Psol), avalia que as recomendações
só podem ser postas em prática se houver o apoio de todas as prefeituras. O
parlamentar informa que o Comitê realizou uma pesquisa com todos os processos
policiais envolvendo homicídios de adolescentes desde 2011. “A morte não pode
ser tratada apenas como estatística”, defende o deputado, antes de citar a
história de vida de alguns adolescentes que perderam a vida entre 12 e 17 anos.
O parlamentar assinala que foram pesquisados sete
municípios com maior incidência de assassinatos: Fortaleza, Caucaia, Maracanaú,
Horizonte, Eusébio, Sobral e Juazeiro do Norte. Entre os dados encontrados está
o fato de a maioria dos adolescentes terem sidos assassinados no próprio
bairro, variando entre 50% (Juazeiro) e 87% (Caucaia).
Outra realidade detectada pela pesquisa é o uso da
arma de fogo para a prática dos homicídios de jovens, que fica entre 81%
(Sobral) e 100% (Horizonte). O estudo também detectou falhas no sistema
socioeducativo do Estado, com diferenças importantes entre cidades. Enquanto,
em Eusébio, 13% dos adolescentes mortos cumpriram medidas socioeducativas, o
índice chega a 73% em Caucaia.
Segundo a pesquisa, há evidências de que também há
vulnerabilidade de quem cuida da criança. “Temos uma mãe jovem pobre, que não tem
ninguém por perto - nem Estado, nem comunidade - e pesa sobre ela o
preconceito. É possível cuidar de quem cuida, havendo redes municipais de
assistência social”, aponta Roseno.