Um dia após a maior manifestação
popular da história do País, a presidente Dilma Rousseff, pressionada para
deixar o cargo, comanda na manhã desta segunda-feira, 14, reunião de coordenação
política para tentar traçar uma estratégia de resposta aos protestos.
Participarão do encontro os ministros
José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União); Ricardo Berzoini (Secretaria
de Governo); Edinho Silva (Comunicação Social); Jaques Wagner (Casa Civil);
Gilberto Kassab (Cidades); André Figueiredo (Comunicações); Antônio Carlos
Rodrigues (Transportes); Marcelo Castro (Saúde) e Carlos Vieira, ministro
interino da Integração Nacional. Além deles, estarão presentes os líderes do
governo na Câmara, José Guimarães, e no Congresso Nacional, José Pimentel.
No domingo, 13, milhões de
brasileiros foram às ruas, em pelo menos 239 cidades nas cinco regiões, pedir a
saída da petista Dilma Rousseff da Presidência da República. Os protestos
também tiveram como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e
principal líder do PT, investigado pela Operação Lava Jato e pelo Ministério
Público de São Paulo.
Os manifestantes se dividiram entre o
apoio ao impeachment de Dilma, em tramitação na Câmara dos Deputados, a
cassação do mandato pela Justiça, sob análise do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), e a pressão pela renúncia da petista do cargo que ela ocupa desde
janeiro de 2011 e para o qual foi reeleita em 2014, com 51,64% dos votos no
segundo turno.
PMDB
Após a reunião de coordenação, Dilma
encontra a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que é do PMDB. O partido, que
é a maior base de sustentação do governo, realizou convenção nacional no sábado
e, em um primeiro sinal de rompimento com o governo Dilma, aprovou uma moção
que impede que membros do partido assumam novos cargos no governo pelos
próximos 30 dias. A proibição vale até o diretório nacional tomar uma decisão
definitiva sobre o desembarque ou não da gestão da petista.
Com isso, o deputado Mauro Lopes (MG)
fica impedido de assumir a Secretaria de Aviação Civil nesta semana. O
ministério havia sido prometido ao PMDB de Minas Gerais em troca do apoio à
recondução do Leonardo Picciani (RJ), aliado do governo Dilma, à liderança do
partido na Câmara.