Em época de proliferação de doenças causadas pelo mosquito Aedes
aegypti, qualquer mosquito é visto como uma ameaça. Ao ver um mosquito, não dá
tempo de diferenciar se é uma muriçoca ou um Aedes aegypti. O instinto indica
que você deve matá-lo. É óbvio que ninguém quer correr o risco, mas existem
poucas semelhanças e
muitas diferenças entre as
espécies.
A muriçoca e o Aedes aegypti vivem mais sob calor e umidade, condição
que se verifica no Ceará nos primeiros meses do ano. Os dois insetos se alimentam de sangue humano,
e as semelhanças terminam aí.
As diferenças entre os insetos começam no período que costumam atacar. A
muriçoca é mais agressiva e tem hábitos noturnos, entrando nas casas à noite
para se alimentar. Já o Aedes aegypti vive no ambiente domiciliar e é mais
ativo durante o dia, especialmente no início da manhã e no final da tarde.
Uma das principais queixas sobre a muriçoca é o zumbido perto do ouvido
e a picada dolorida que perturbam o sono dos moradores, enquanto o Aedes não
produz zumbido e sua picada geralmente não é sentida. De acordo com a
Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), as doenças relacionadas à muriçoca, como a filariose, não são
transmitidas no Estado. Já o Aedes aegypti transmite a dengue, a chikungunya e
doenças causadas pelo vírus zika.
A distribuição dos ovos também
é diferente nos dois mosquitos. A muriçoca põe os ovos diretamente em águas
sujas, ricas em dejetos materiais orgânicos em decomposição, como esgotos a céu
aberto. Já a fêmea do Aedes deposita os ovos nas bordas de reservatórios de
água limpa, geralmente encontrados dentro das residências, notadamente em
períodos de estiagem, quando as famílias costumam armazenar em depósitos e
potes a água para o consumo doméstico.
Os ovos da muriçoca não sobrevivem fora d’água. Já os do Aedes aegypti
ficam por mais de um ano nas bordas de locais onde há acúmulo de água. A fêmea
do Aedes se alimenta do sangue para maturar seus ovos e transmite a dengue
quando infectada pelo vírus da doença em circulação. No contato com a
água, os ovos eclodem e saem por aí ameaçando a saúde da população,
transmitindo doenças que deixam as pessoas com dores nas articulações, febre,
dor de cabeça e que, em casos mais graves, podem matar.