Os processos de
adoção e apadrinhamento podem reduzir o número de crianças e adolescentes que
vivem em abrigos, mas a falta de profissionais no Tribunal de Justiça do Ceará
(TJCE) está atrasando esse processo. Em Fortaleza, há uma fila de 201
pretendentes à adoção. Conforme a Defensoria Pública do Estado do Ceará, são
466 crianças e adolescentes em abrigos. Destes, 94 estão aguardando uma nova
família. O problema é que falta profissionais para compor as equipes
multidisciplinares responsáveis pela emissão do relatório social dos candidatos
a padrinhos e pais adotivos.
Apesar disso,
segundo levantamento do Setor de Cadastro do Juizado da Infância e da Juventude
de Fortaleza, em 2016, foram concluídas 46 adoções. Outras 28 famílias estão
com processos em andamento e 17 crianças institucionalizadas recebem visitas de
pretendentes.
Para o defensor
público e supervisor do Núcleo das Defensorias da Infância e Juventude (NADIJ),
Adriano Leitinho Campos, "a demora de crianças e adolescentes em abrigos é
uma prática desumana e ilegal". O defensor explica que o programa de apadrinhamento
sofre pela falta de profissionais para habilitar os candidatos e as adoções
atrasam devido a pouca regularidade dos curso preparatório para famílias
pretendentes.
Alternativa
Leitinho destaca
que a alternativa encontrada para agilizar os processos é a solicitação de
tutela antecipada. "Nos casos de apadrinhamentos estamos orientando isso.
O problema é que é arriscado, pois não dá segurança se a família é apta ou
não", ressalta ele, que acredita que se houver uma equipe maior, a fila de
adoção anda.
"A demora para
conseguir um lar pode comprometer a formação adulta dessas crianças", pelo
menos é o que avalia a Coordenadora do Núcleo Cearense de Estudos e Pesquisas
sobre a Criança da Universidade Federal do Ceará (UFC), Andrea Carla Cordeiro.
Segundo a especialista, a falta de concursos para psicólogos e assistentes
sociais prejudica o trabalho e a formação dos abrigados.
Demanda
O Coordenador do
Juizado da Infância e Juventude de Fortaleza, juiz Pedro de Araújo Bezerra,
concorda que existe uma demanda alta devido a falta de profissionais, mas que,
mesmo assim, o andamento nos processos corre normalmente. "Todos os
procedimentos administrativos estão tramitando nos seus cursos regulares",
conta. Segundo o magistrado, o tempo de tramitação do processo de adoção ou
apadrinhamento leva 6 meses. Araújo prometeu a contratação de três funcionários
ainda essa semana.
Mais informações:
Vara da Infância e
da Juventude, no Fórum Clóvis Beviláqua. Http://portais.Tjce.Jus.Br/cijce/
(3278.1113)