O juiz Agenor Studart Neto, da 1ª Vara da Comarca
de Baturité,
determinou, nesta terça-feira (29), o afastamento temporário da prefeita
Cristiane Braga Saraiva, pelo prazo que for necessário à instrução processual.
A prefeita terá 15 dias para apresentar defesa. Na decisão, o magistrado também
suspendeu os efeitos de dois processos licitatórios nos valores de R$ 585,5 mil
e R$ 615 mil, que se destinavam à aquisição de peças automotivas e serviços de
manutenção mecânica preventiva e corretiva da frota de veículos do
município.
As medidas atendem a pedido formulado pelo
Ministério Público do Ceará (MPCE), que ingressou com ação cautelar onde afirmou haver indícios de
que procedimentos licitatórios estariam sendo utilizados para desvio de verbas.
As licitações seriam aplicadas com finalidade bem diversa daquela a que,
original e legalmente, se destinavam. O G1 tentou falar com a prefeita mas o telefone não foui atendida.
Ao analisar o caso, o juiz destacou que o relato do Ministério Público “parece
ser completo e perfeito, porque descreve, sem meias palavras, a triste e penosa
realidade vivenciada pela administração municipal, que já se encontra
sabidamente nos seus estertores, em face do término do mandato do seu atual
gestor”.
O juiz também entendeu que, permanecendo no cargo, a prefeita poderia
“envidar esforço e usar de todos os seus poderes administrativos, para, de uma
forma ou de outra, embaraçar, dificultar, pressionar testemunhas, manipular
documentos, ou mesmo obstruir os trabalhos de investigação, ou de instrução
processual. tais condutas poderão causar perturbação à coleta de provas da
futura ação, considerando, devo repisar, a posição hierárquica ocupada por ela
e a relevância dos fatos a ela imputados”.
O juiz também enfatizou existir “notícias de que vencedores de procedimentos
licitatórios já tentaram fazer com que servidores assinassem documentos que não
retratavam a realidade, num intuito de mascarar prova de certas
irregularidades”.