Ao menos 1.083 municípios do país, além do Distrito
Federal, estão em situação de emergência por conta da seca ou da estiagem,
segundo levantamento do G1. Em cinco dos
15 estados afetados, o cenário atinge mais da metade dos municípios – No Rio Grande do Norte,
90% estão em emergência.
O levantamento, feito pelo G1, leva em conta os municípios decretaram emergência
e, posteriormente, tiveram tal situação reconhecida pelos governos estaduais, o
que garante o acesso a recursos desses entes públicos.
O Nordeste é a região mais afetada. Lá, todos os
estados têm cidades em emergência. A situação, entretanto, também atinge o
Centro-Oeste, o Norte e o Sudeste.
Entre as cidades afetadas pela seca estão Rio
Branco, onde o Rio Acre chegou a atingir o menor nível da história em 17 de setembro; Vitória,
que enfrenta racionamento desde o dia 22 – o município, entretanto, não está na
lista dos que tiveram emergência reconhecida pelo governo; e Brasília, onde
algumas regiões chegaram a sofrer racionamento de 23 a 25 de setembro. O
governo distrital prevê aumentar o valor das contas de água em 20% caso o nível
dos dois principais reservatórios caia a 25%.
Além de problemas de abastecimento, a seca tem causado prejuízos à economia. Em Mato Grosso, a produtividade da safra de milho de 2016 caiu 32% em relação à safra 2014/2015, o que resulta numa perda de R$ 32 bilhões, segundo estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuário (Imea). No Sergipe, a perda de safra de milho atinge 80%. No Espírito Santo, a produção de café robusta caiu 40% em 2016 na comparação com o pico de 2014.
Em Goiás, embora não haja decretos de situação de
emergência por conta de seca ou estiagem, o governo contabiliza 14 cidades que
podem enfrentar problemas de abastecimento. Dentre elas está Goiânia, em razão
da diminuição do nível do manancial que abastece a capital.
No Amazonas, o governo do estado avalia pedidos de
reconhecimento de situação de emergência já decretadas por municípios. A
navegação em trechos do Rio Madeira entre Amazonas e Roraima está restrita
desde julho.
Previsão
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para os próximos três
meses -- outubro, novembro e dezembro (veja o mapa abaixo) --, mostra que as
chuvas devem se comportar de forma variada dependendo da região do país.
No Ceará O volume de água
armazenado nos principais reservatórios do estado está em 8,8%, o pior nível em
mais de 20 anos. O reservatório do Castanhão, o principal do estado e que
abastece a Grande Fortaleza, está com 6,22%. Das 184 cidades do estado, 126
estão em situação de emergência por conta da seca ou da estiagem, segundo o
governo do Estado. A situação é pior no interior do estado e na zona rural.