O bispo de uma igreja LGBT que sofreu uma tentativa
de homicídio na noite desta quarta-feira (21) em Fortaleza afirma que "não
foi a primeira ameaça que sofreu" por aceitar fiéis homossexuais. "Já
sofremos vários tipos de ameaça em mensagens de celular anônima dizendo 'vocês
merecem ir pro inferno', 'qualquer dia eu entro nessa igreja com uma bomba' e
outras mensagens ofensivas", diz.
Na noite de quarta-feira, após sair de uma rádio onde
apresenta um programa sobre teologia e diversidade sexual, o bispo Alan Luz foi
perseguido por dois homens em um carro que disparam tiros contra ele e uma
passageira no veículo de Alan.
Os tiros atingiram os vidros do carro, cujos
estilhaços causaram ferimentos leves no bispo e na passageira.
"Fisicamente foram apenas ferimentos leves, graças a Deus, mas
emotivamente foi um atentado muito forte", relatou.
Em nota, a Polícia Civil do Ceará afirma que contra
o crime Alan Jessé Luz, da Igreja Apostólica Filhos da Luz, foi registrado no
30º Distrito Policial e, posteriormente, transferido para a Divisão de
Homicídios e Proteção à Pessoa. O inquérito referente o caso é presidido pela
delegada Socorro Portela, diretora da Divisão. Alan Luz conta que recebeu um
telefonema da delegada na noite desta quinta-feira (22), que tentou acalmá-lo e
mantê-lo seguro.
De acordo com a Polícia Civil, o crime é
investigado como tentativa de homicídio e crime de ódio, já que há suspeita de
que o atentado tenha sido motivado pela relação entre o bispo e o público LGBT
que visita sua igreja.
Igreja Filhos
da Luz
Alan Luz é bispo da Igreja Filhos da Luz, no Bairro
Benfica, em Fortaleza. Ele afirma que a igreja é "absolutamente
normal", com a "única diferença" de que acolhe o público LGBT.
"É uma igreja cristã, com ordem normativa e todo o processo da palavra e
louvor. A única diferença é que nós acolhemos a diversidade e temos como líder
um bispo homoafetivo."
A igreja funciona há três anos, com público
heterossexual e homossexual. "Não temos nenhuma restrição. A igreja acolhe
a todos e isso alguma pessoas não entendem, o que gera as ameaças",
relata.
Apesar das ameaças, ele conta que vai manter a
igreja, mas teme pela segurança dos frequentadores. "Isso só me fez ter
mais fé, garra e determinação para continuar."