A sensação que os passageiros estão em situação de vulnerabilidade ao
utilizar o transporte coletivo ainda é enfatizada por alguns usuários ( FOTO:
HELENE SANTOS )
Desde que os
assaltos a ônibus começaram a ser contabilizados pelo Sindicato das Empresas de
Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), em Fortaleza, em
2004, os números anuais variam, mas se mantêm preocupantes. Em 2013,
considerado o pior ano, a média foi de sete roubos nos coletivos a cada 24h.
Neste ano, o número médio é de 4,3 assaltos por dia. Um total de 1.331
ocorrências entre janeiro e outubro. Poder público e Sindicato enfatizam as
ações para combater tais crimes, mas na prática, reconhecem que a redução da
violência nos coletivos ocorre de forma tímida.
A sensação que os
passageiros estão em situação de vulnerabilidade ao ingressar no transporte
coletivo ainda é enfatizada por alguns usuários nas paradas e nos ônibus.
"A gente anda com medo. Não é sempre, tem alguns horários e algum locais.
Não vou generalizar. Mas é complicado", ressalta a cozinheira Marilene
Gomes. Moradora do Castelão, ela desloca-se diariamente para Aldeota, onde
trabalha. Na linha 680, conta ela, felizmente nunca foi assaltada, mas sabe de
muitas amigas que foram.
Em 2015, de janeiro
a dezembro, o Sindiônibus registrou 1.628 assaltos, média de 4,5 roubos a cada
24h. "Começamos a série histórica em 2004 e fomos melhorando até 2011,
quando chegamos a ter menos de um assalto por dia. Questões sociais afetaram
essa intensificação das ocorrências. Agora, já estamos novamente recuando, mas
ainda estamos longe do que já conseguimos", diz o presidente do
Sindiônibus, Dimas Barreira.
Medidas
Equipar os ônibus
com cofres, instalar câmeras de segurança e GPS, ter contato direito com a
Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) são algumas das
medidas que o Sindiônibus alega ter tomado nos últimos anos para barrar a
insegurança.
Pensar a adoção de
outras alternativas, segundo Dimas, tem sido uma ação contínua do setor. Um
evento realizado, ontem, pelo Sindicato, em Fortaleza, debateu a experiência
vivenciada em Campo Grande (MS), com o estabelecimento da Bilhetagem Eletrônica
para 100% dos passageiros desde 2011.
Conforme o
procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul,
Aroldo lima, o estabelecimento deste formato teve impacto significativo. Dados
apresentados por ele demonstram que os assaltos a ônibus em Campo Grande, que
em 2011 ocorreram 419 vezes, há três não são praticados. Desde 2013, a cidade
registra índice zero de assaltos a coletivos e, segundo o procurador, isto está
diretamente associado à falta de circulação de dinheiro dentro desse tipo de
transporte.
A ideia apontada
como bem sucedida no Centro-Oeste, na avaliação do coordenador do Plano de
Ações Imediatas em Transporte e Trânsito de Fortaleza (Paitt), Luiz Alberto
Saboia, é "interessante", mas é necessário considerar se essa
"imposição do Bilhete Eletrônico é algo que favorece os usuários". Em
Fortaleza, segundo o Sindiônibus, 700 mil pessoas utilizam Bilhetagem
Eletrônica atualmente.
O coordenador
reconhece que os ônibus, embora tenham câmeras internas, ainda não fazem a
transmissão em tempo real para o Centro de Operações. "Estamos avaliando
se será possível fazer isso em algumas linhas mais problemáticas".
A reportagem entrou
em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para
falar sobre ações de combate a esse tipo de crime, mas a assessoria informou
que a Pasta não tinha condições de responder à demanda ontem.