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Fortaleza tem média de 4 assaltos a ônibus por dia

Desde 2014, a violência nos coletivos vem decaindo, porém esta redução ainda é tímida e as ocorrências alarmam

A sensação que os passageiros estão em situação de vulnerabilidade ao utilizar o transporte coletivo ainda é enfatizada por alguns usuários ( FOTO: HELENE SANTOS )

Desde que os assaltos a ônibus começaram a ser contabilizados pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), em Fortaleza, em 2004, os números anuais variam, mas se mantêm preocupantes. Em 2013, considerado o pior ano, a média foi de sete roubos nos coletivos a cada 24h. Neste ano, o número médio é de 4,3 assaltos por dia. Um total de 1.331 ocorrências entre janeiro e outubro. Poder público e Sindicato enfatizam as ações para combater tais crimes, mas na prática, reconhecem que a redução da violência nos coletivos ocorre de forma tímida.

A sensação que os passageiros estão em situação de vulnerabilidade ao ingressar no transporte coletivo ainda é enfatizada por alguns usuários nas paradas e nos ônibus. "A gente anda com medo. Não é sempre, tem alguns horários e algum locais. Não vou generalizar. Mas é complicado", ressalta a cozinheira Marilene Gomes. Moradora do Castelão, ela desloca-se diariamente para Aldeota, onde trabalha. Na linha 680, conta ela, felizmente nunca foi assaltada, mas sabe de muitas amigas que foram.

Em 2015, de janeiro a dezembro, o Sindiônibus registrou 1.628 assaltos, média de 4,5 roubos a cada 24h. "Começamos a série histórica em 2004 e fomos melhorando até 2011, quando chegamos a ter menos de um assalto por dia. Questões sociais afetaram essa intensificação das ocorrências. Agora, já estamos novamente recuando, mas ainda estamos longe do que já conseguimos", diz o presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira.

Medidas

Equipar os ônibus com cofres, instalar câmeras de segurança e GPS, ter contato direito com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) são algumas das medidas que o Sindiônibus alega ter tomado nos últimos anos para barrar a insegurança.

Pensar a adoção de outras alternativas, segundo Dimas, tem sido uma ação contínua do setor. Um evento realizado, ontem, pelo Sindicato, em Fortaleza, debateu a experiência vivenciada em Campo Grande (MS), com o estabelecimento da Bilhetagem Eletrônica para 100% dos passageiros desde 2011.

Conforme o procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, Aroldo lima, o estabelecimento deste formato teve impacto significativo. Dados apresentados por ele demonstram que os assaltos a ônibus em Campo Grande, que em 2011 ocorreram 419 vezes, há três não são praticados. Desde 2013, a cidade registra índice zero de assaltos a coletivos e, segundo o procurador, isto está diretamente associado à falta de circulação de dinheiro dentro desse tipo de transporte.

A ideia apontada como bem sucedida no Centro-Oeste, na avaliação do coordenador do Plano de Ações Imediatas em Transporte e Trânsito de Fortaleza (Paitt), Luiz Alberto Saboia, é "interessante", mas é necessário considerar se essa "imposição do Bilhete Eletrônico é algo que favorece os usuários". Em Fortaleza, segundo o Sindiônibus, 700 mil pessoas utilizam Bilhetagem Eletrônica atualmente.

O coordenador reconhece que os ônibus, embora tenham câmeras internas, ainda não fazem a transmissão em tempo real para o Centro de Operações. "Estamos avaliando se será possível fazer isso em algumas linhas mais problemáticas".

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para falar sobre ações de combate a esse tipo de crime, mas a assessoria informou que a Pasta não tinha condições de responder à demanda ontem.

 

18 de NOV de 2016 às 07:55:23
Fonte: Diário do Nordeste
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A sensação que os passageiros estão em situação de vulnerabilidade ao utilizar o transporte coletivo ainda é enfatizada por alguns usuários ( FOTO: HELENE SANTOS )

Desde que os assaltos a ônibus começaram a ser contabilizados pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), em Fortaleza, em 2004, os números anuais variam, mas se mantêm preocupantes. Em 2013, considerado o pior ano, a média foi de sete roubos nos coletivos a cada 24h. Neste ano, o número médio é de 4,3 assaltos por dia. Um total de 1.331 ocorrências entre janeiro e outubro. Poder público e Sindicato enfatizam as ações para combater tais crimes, mas na prática, reconhecem que a redução da violência nos coletivos ocorre de forma tímida.

A sensação que os passageiros estão em situação de vulnerabilidade ao ingressar no transporte coletivo ainda é enfatizada por alguns usuários nas paradas e nos ônibus. "A gente anda com medo. Não é sempre, tem alguns horários e algum locais. Não vou generalizar. Mas é complicado", ressalta a cozinheira Marilene Gomes. Moradora do Castelão, ela desloca-se diariamente para Aldeota, onde trabalha. Na linha 680, conta ela, felizmente nunca foi assaltada, mas sabe de muitas amigas que foram.

Em 2015, de janeiro a dezembro, o Sindiônibus registrou 1.628 assaltos, média de 4,5 roubos a cada 24h. "Começamos a série histórica em 2004 e fomos melhorando até 2011, quando chegamos a ter menos de um assalto por dia. Questões sociais afetaram essa intensificação das ocorrências. Agora, já estamos novamente recuando, mas ainda estamos longe do que já conseguimos", diz o presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira.

Medidas

Equipar os ônibus com cofres, instalar câmeras de segurança e GPS, ter contato direito com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) são algumas das medidas que o Sindiônibus alega ter tomado nos últimos anos para barrar a insegurança.

Pensar a adoção de outras alternativas, segundo Dimas, tem sido uma ação contínua do setor. Um evento realizado, ontem, pelo Sindicato, em Fortaleza, debateu a experiência vivenciada em Campo Grande (MS), com o estabelecimento da Bilhetagem Eletrônica para 100% dos passageiros desde 2011.

Conforme o procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, Aroldo lima, o estabelecimento deste formato teve impacto significativo. Dados apresentados por ele demonstram que os assaltos a ônibus em Campo Grande, que em 2011 ocorreram 419 vezes, há três não são praticados. Desde 2013, a cidade registra índice zero de assaltos a coletivos e, segundo o procurador, isto está diretamente associado à falta de circulação de dinheiro dentro desse tipo de transporte.

A ideia apontada como bem sucedida no Centro-Oeste, na avaliação do coordenador do Plano de Ações Imediatas em Transporte e Trânsito de Fortaleza (Paitt), Luiz Alberto Saboia, é "interessante", mas é necessário considerar se essa "imposição do Bilhete Eletrônico é algo que favorece os usuários". Em Fortaleza, segundo o Sindiônibus, 700 mil pessoas utilizam Bilhetagem Eletrônica atualmente.

O coordenador reconhece que os ônibus, embora tenham câmeras internas, ainda não fazem a transmissão em tempo real para o Centro de Operações. "Estamos avaliando se será possível fazer isso em algumas linhas mais problemáticas".

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para falar sobre ações de combate a esse tipo de crime, mas a assessoria informou que a Pasta não tinha condições de responder à demanda ontem.

 

18 de NOV de 2016 às 07:55:23
Fonte: Diário do Nordeste