Nos próximos 30 dias, devem ser julgados pelo Tribunal de Ética
e Disciplina da OAB-Ceará pelo menos oito de 11 advogados acusados de
participarem da venda de liminares nos plantões do Tribunal de Justiça do
Estado. Três advogados já foram suspensos após julgamento na última
quarta-feira (18). As informações são da rádio Tribuna Bandnews FM.
Em
entrevista coletiva, nesta quinta-feira (19), o presidente do Tribunal de
Ética, José Damasceno Sampaio,
disse que os advogados Daniel Francisco de Almeida, Michel Sampaio Coutinho e
Mauro Junior Rios foram afastados por 90 dias do exercício da advocacia sob
pena cautelar e falou sobre as provas adquiridas.
“Nós
temos o prazo de 90 dias para ouvir testemunhas, em um processo ordinário
normal, e levar a julgamento dentro desse período. São duas penalidades
distintas que podem ocorrer, dependendo do grau de envolvimento de cada
profissional. A primeira é ter a suspensão prorrogada por mais 12 meses ou a
pena máxima que é a exclusão dos quadros da OAB”, afirmou.
O
esquema de compra de habeas corpus veio à tona em 2014, após denúncia do então
presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luís Gerardo de Pontes
Brígido.
José
Damasceno Sampaio explica que o processo disciplinar contra os advogados só foi
instalado em março deste ano, quando as informações obtidas pelo Conselho
Nacional de Justiça e Justiça Federal foram compartilhas com a OAB. Mais de 10
mil documentos foram analisados. “As provas que foram compartilhados são:
documentos dos processos judiciais que tramitarão e tramitam no Tribunal de
Justiça, interceptação telefônicas pela Polícia Federal, diálogos com
familiares dos advogados, o que era possível eles nos repassarem na chamada
prova compartilhada o que desrespeito a atuação dos advogados”, explicou.
O
presidente do Tribunal
de Ética e Disciplina descartou
a possibilidade de que advogados investigados no esquema sejam “laranjas” de outros
advogados de alto escalão
Outro
ponto questionado foi o uso de “laranjas“, questão
descartada pelo presidente do Tribunal de Ética e Disciplina. “Não existe essa
história de dizer que tem “laranja” ou tem “laranjeira”. Para nós aqui não nos
interessa se é laranja ou laranjeira, se envolveu no esquema recebe a punição
correspondente”, explicou.
O
número de liminares supostamente vendidos pelos três advogados, já condenados
administrativamente, e o valor recebido por eles no esquema não foram
divulgados porque, segundo a OAB, não é de interesse do órgão, e sim o fato de
terem cometido desvio de conduta.
Mas, de
acordo com a denúncia, o valor pago pela obtenção das liminares chegava a 150
mil reais. Para apurar as denúncias, um inquérito foi instaurado pela Policia
Federal, em junho de 2015, que apontou além da participação de advogados, o
envolvimento de juízes e servidores do Tribunal de Justiça.