O Palácio do
Planalto decidiu adiar o corte de três mil cargos comissionados anunciado pela
presidente Dilma Rousseff como parte da reforma administrativa. A ideia é
esperar passar este momento de crise para desencadear a dispensa de pessoal. A
avaliação é de que isso poderá abrir novo flanco de insatisfação da base
parlamentar no Congresso, em um momento em que o governo busca evitar o
impeachment da petista.
Ainda não há nova
data fixada para a extinção dos cargos, tecnicamente chamados de Direção e
Assessoramento Superior (DAS).
Neste momento, o
Palácio do Planalto discute com os partidos as nomeações de segundo e terceiros
escalões, após a reforma ministerial que extinguiu pastas e ampliou a presença
do PMDB na Esplanada dos Ministérios. A liberação dos cargos é uma das
exigências dos partidos para garantir o apoio da base governista à presidente,
que está ameaçada pela possível abertura de um processo de impeachment.
Para assessores de
Dilma, seria temerário anunciar a demissão de possíveis afilhados de políticos
que ocupam DAS quando o governo está justamente tentando reconstruir a sua base
parlamentar.
Pelo anúncio
inicial, o governo esperava economizar R$ 200 milhões com o corte de três mil
dos 22,6 mil cargos comissionados, com a extinção de ministérios e de 30
secretarias.
A reforma, contudo,
segue onde não afeta muito a política. Viagens de primeira classe bancadas com
dinheiro público passaram a ser, desde ontem, exclusividade do presidente e do
vice-presidente da República. Em viagens de trabalho, os ministros e os
comandantes das Forças Armadas, que antes tinham direito a essa regalia, só
poderão embarcar agora na classe executiva. Todos os demais agentes públicos e
dependentes só terão direito a bilhetes da classe econômica. A medida foi
publicada ontem em decreto no Diário Oficial da União.
Transporte
O governo federal
também restringiu o uso de carros oficiais a ministros e chefes das Forças
Armadas. A norma diz que dirigentes máximos de autarquias e fundações,
ocupantes de cargos comissionados, chefes de gabinete de ministros e dirigentes
estaduais ou regionais de órgãos da administração pública federal, que tinham
direito ao uso individual de carros oficiais, só poderão usar “veículos de
transporte institucional de modo compartilhado”.
Segundo o
Ministério do Planejamento, 280 pessoas perderão direito ao uso exclusivo de
veículos oficiais. A regra se aplica a presidentes de todas as agências
reguladoras – como a Aneel (energia), ANS (saúde), Anatel (telecomunicações) e
Anvisa (vigilância sanitária) -, reitores de universidades federais,
presidentes do Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre outras
autarquias.
Dilma manteve o
privilégio do uso de carros oficias para familiares do presidente e do vice “se
razões de segurança o exigirem” e para ocupantes de cargos de natureza
especial, como ministros de Estado.
O Ministério do
Planejamento informou que, no curto prazo, a previsão é de que haja
compartilhamento dos carros entre os ministérios.
Na terça-feira, o
governo também fixou medidas para reduzir em 20% despesas com a contratação de
bens e serviços e com o uso de telefones corporativos. Foi limitado a R$ 500 o
valor que ministros poderão gastar por mês com a conta de celular.