Em uma carta endereçada à presidente Dilma Rousseff, governadores de 15
estados e do Distrito Federal manifestaram apoio à petista em um manifesto
batizado de "carta da legalidade" e se posicionaram contra o processo de impeachment aberto na Câmara
dos Deputados.
A divulgação da carta dos governadores a Dilma ocorre uma semana após o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizar a abertura do processo
de afastamento e um dia depois de o vice-presidente da República, Michel Temer,
enviaruma carta a ela na qual diz que a petista não confia nele
nem no PMDB, partido do qual ele é presidente.
“Entendemos que o mecanismo de impeachment, previsto no nosso ordenamento
jurídico, é um recurso de extrema gravidade que só deve ser empregado quando
houver comprovação clara e inquestionável de atos praticados dolosamente pelo
chefe de governo que atentem contra a Constituição”, diz a carta.
“O processo de impeachment, aberto na última quarta-feira, 02/12, carece
desta fundamentação. Não está configurado qualquer ato da Presidenta da
República que possa ser tipificado como crime de responsabilidade”, acrescentam
os governadores no documento.
A carta é assinada pelos governadores do Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
Nesta terça, Dilma se reuniu, por cerca de uma hora e meia, com governadores para discutir o processo de impeachment. O encontro já havia sido anunciado na semana passada pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Segundo ele, ocorreria como parte da estratégia do governo de se preparar “para o embate que está começando”.
Mais cedo, Wagner, um dos principais conselheiros políticos da presidente Dilma, ofereceu almoço, no Palácio do Planalto, aos governadores dos nove estados do Nordeste. Ele comanda um grupo interministerial para, segundo ele, acompanhar “cotidianamente” os desdobramentos da abertura do processo de impeachment de Dilma na Câmara.