A força do presidente Michel Temer
(PMDB) no Congresso Nacional não tem sido refletida nas ruas nem em entidades
organizadas. Após a aprovação em primeiro turno da Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 241, que limita os gastos do governo federal com serviços
públicos pelos próximos 20 anos, mobilizações de diversas áreas sociais têm se
apresentado nos últimos dias contrárias à PEC.
Ministério Público Federal,
Associação dos Magistrados do Brasil, Central Única dos Trabalhadores, Fórum
Nacional de Secretários Estaduais de Assistência Social, além de um grupo de
economistas têm ido a público criticar a aprovação da proposta patrocinada pelo
governo peemedebista.
Representantes da AMB e do MPF já
enviaram notas técnicas ao Congresso Nacional criticando o texto, aprovado em
primeiro turno pelos deputados, que limita os gastos públicos pelas próximas
duas décadas.
A Associação dos Magistrados e o
Ministério Público têm iniciado nos últimos dias um corpo a corpo com o
deputados e senadores em Brasília para tentar reverter os votos até o final do
processo. A CUT tem organizado mobilizações de ruas em todo o País no intuito
de evitar a aprovação da PEC.
Como se trata de uma matéria que
altera a Constituição, é exigida a votação em dois turnos nas duas Casas.
Restam, portanto, ainda três votações.
O
POVO procurou cientistas políticos para comentar o
contraste entre a opinião dos parlamentares da base aliada de Temer e entidades
representativas. Para o professor de ciência política do Instituto Brasileiro
de Mercado de Capitais de Minas Gerais (Ibmec/MG), Adriano Gianturco, apesar da
polêmica em torno do texto da matéria, o resultado previsto, que é a aprovação,
não deve mudar em razão dessas mobilizações.
“Tem um interesse da classe política
brasileira na aprovação da PEC. Eles querem que a arrecadação possa aumentar
para distribuir seus favores. Mas acho que os grupos organizados representam
uma pequena parte da sociedade, e hoje eles não têm muitos votos em termos de
representação no Congresso”, avalia.
A opinião é compartilhada pelo
professor Francisco Moreira Ribeiro, da Universidade de Fortaleza (Unifor), ao
alegar que o vínculo entre congressistas com o novo governo segue fortalecido e
as manifestações de entidades ou de ruas dificilmente deverão mudar o voto de
apoiadores do governo, que representam maioria.
“A resistência é algo necessário,
mostra como a PEC tem aspectos que vão de encontro aos interesses da sociedade
brasileira. Mas isso (força de Temer no Congresso) é um pouco da consolidação
desse grupo da forma como ele chegou ao poder”, ressalta.
Ribeiro acredita que a desmobilização das ruas é resultado também do pouco conhecimento da grande parcela da população em relação ao conteúdo do texto aprovado na primeira votação por ampla maioria dos parlamentares.
366 deputados federais votaram favoráveis à PEC 241, que limita gastos