Sobe para 73 o número de casos confirmados de
microcefalia no Ceará entre 2015 e 2016, segundo boletim divulgado nesta
terça-feira (29) pelo Ministério da Saúde. Outros 240 são investigado. Na
semana passada, foi confirmado pela 1ª vez um
caso de microcefalia em um bebê vivo, em Fortaleza.
Os ocorrem nas cidades de Canindé, Crateús,
Fortaleza, Iguatu, Ipaumirim, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Morrinhos, Piquet
Carneiro, Russas, Tejuçuoca e Tururu. Dos 68 casos confirmados, 59 (86,8%)
foram encerrados por critério clínico-radiológico e 9 (13,2%) tiveram
diagnóstico laboratorial confirmado para vírus zika.
No Ceará, de outubro de 2015 a 18 de março de 2016,
foram notificados 417 casos de microcefalia e alterações do sistema nervoso
central (SNC). Destes, 68 (16,3%) foram confirmados, 100 (24%) foram
descartados e 249 (59,7%) estão em investigação. Do total de notificados, 347
(83,2%) foram detectados no pós-parto e 70 (16,8%) durante a gestação.
Dos 68 casos confirmados, 59 (86,8%) foram
encerrados por critério clínico-radiológico e 9 (13,2%) tiveram diagnóstico laboratorial
confirmado para vírus zika.
Repercussão
O infectologista Roberto da Justa esclarece que, após o nascimento, o bebê não
tem mais o vírus zika no corpo. "O vírus esteve durante o desenvolvimento
fetal, mas após dias ou semanas, ainda no corpo da mãe, o virus é eliminado. A
criança não transmite vírus pra ninguém. Ela fica com as sequelas da infecção
durante a gravidez", explica.
"Uma parcela vai nascer com microcefalia,
outra parcela não vai nascer. O dano cerebral às vezes é tão grave que acaba comprometendo
funções vitais, principalmente respiração e capacidade de se alimentar",
relata.
A microcefalia é uma condição que a repercussão na vida do recém-nascido vai
depender do grau de dano cerebral causado pelo vírus e fatores associados,
destaca o infectologista. "Existem casos mais leves, outros mais graves.
Pode repercutir futuramente no desenvolvimento psicomotor, fala, aprendizagem,
memória, locomoção". O infectologista acrescenta que o grau de autonomia
vai depender, também, nos cuidados à criança, como o estímulo precoce, para
atenuar o dano.