O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), rejeitou na segunda-feira (4) dois pedidos de impeachment do
vice-presidente da República, Michel Temer, entre eles oapresentado pelo ex-ministro da
Educação Cid Gomes (governo Dilma).
No pedido protocolado, ex-governador do Ceará alegava que o vice-presidente e o
PMDB são mencionados nas investigações da Operação Lava Jato. Para justificar a
abertura do processo, Cid se baseava na mensagem de texto identificada no
celular do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro em que foi citado o pagamento de
R$ 5 milhões a peemedebistas. Para a assessoria de Temer, a denúncia tratava de
"notícias velhas" e "citações equivocadas".
No documento, Cid pedia ainda que o pedido não
fosse analisado pelo presidente da Câmara, uma vez que ele próprio foi
denunciado por fatos relacionados à Lava Jato, mas pelo vice-presidente da
Casa, Waldir Maranhão (PMDB-MA). O anúncio de que havia rejeitado o pedido foi
feito por Cunha na noite de segunda, mas ele não explicou o motivo.
O segundo pedido que foi arquivado junto com o do Cid havia sido apresentado
pelo deputado federal Cabo Daciolo (PTdoB-RJ). O parlamentar já tinha entregue
outra denúncia em dezembro do ano passado contra Temer, mas que também acabou sendo
rejeitada por Cunha no mesmo mês.
A Câmara recebeu ainda um quarto pedido contra Temer, mas que foi enviado para
o arquivo em janeiro.
Impeachment
de Dilma
Atualmente, está em tramitação na Casa um pedido de impeachment da presidente
Dilma Rousseff. A defesa dela foi apresentada na segunda-feira pelo
advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que negou que ela tenha cometido
qualquer crime de responsabilidade.
Uma nova reunião da comissão especial que analisa o processo está prevista para
esta quarta-feira (6). A expectativa é que o relator do caso, deputado Jovair
Arantes (PTB-GO), entregue o seu parecer, que deve ser votado até a próxima
segunda-feira (11).
No total, durante o segundo mandato da presidente Dilma, iniciado em 2015, a
Câmara recebeu 48 denúncias pedindo o impedimento da presidente.
Dessas, 39 já foram rejeitadas, uma foi aceita, que é a que está em tramitação.
Outros oitos pedidos ainda estão pendentes de análise do presidente Eduardo
Cunha, incluindo o apresentado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).