O deputado estadual
Renato Roseno (PSOL) acredita que as eleições municipais deste ano serão
marcadas por um sentimento, no eleitorado, de “fora todos”, em razão das
incertezas no cenário político e também na economia. “Será um processo de
repúdio, provavelmente com grande abstenção”, conclui. A declaração foi dada
durante entrevista para a rádio Tribuna Band News FM, nesta sexta-feira
(18).
Em Fortaleza, PSOL,
PSTU e PCB deverão lançar uma candidatura, porém sem grandes expectativas, já
que partidos com baixa representação na Câmara dos Deputados tiveram seus
tempos de propaganda na TV reduzidos na reforma política de 2015. “Eu tinha 60
segundos, agora terei 10!”, reclama, deixando a entender que será o candidato
da coligação. De acordo com o parlamentar, essa frente de “partidos
ideológicos” não deverá apoiar outros nomes de oposição à gestão de Roberto
Cláudio, que não foi poupada de críticas.
“Fortaleza hoje é a
cidade que tem o maior índice de homicídios de adolescentes, é uma cidade que
tem problemas urbanísticos ambientais evidentes, basta andar na periferia, uma
cidade que entra no Século 21 com metade do povo sem esgotamento sanitário, com
gravíssimos problemas de doenças”.
A respeito da crise
política nacional, Roseno diz que, apesar das dificuldades, “é importante que
as pessoas não se deixem manipular por aqueles que já foram muito sujos na
lógica dos negócios públicos e hoje se postam como arautos da ética”.
Bala
de prata
“A nomeação de Lula
[para a Casa Civil] foi a bala de prata, a cartada final [de Dilma]. Na prática
representa uma renúncia branca, na medida em que o comando político do país,
que estava muito fragilizada na mão de Dilma, passa agora à mão de Lula, que é
uma figura que tem um estofo histórico maior. É uma cartada muito arriscada,
pois essa nomeação leva a crise para dentro para o Gabinete [Presidencial]”.
Segundo Roseno, a
nomeação de Lula teve como objetivo principal tentar recuperar a
governabilidade, uma vez que, para ele, “a legitimidade do governo está na
lona”. O benefício de foro privilegiado, ainda de acordo com o deputado, deve
ser levado em conta, mas como questão “acessória”.
Lava
Jato
Renato Roseno
considera que a Operação Lava Jato preocupa quando, a seu ver, “exorbita, do
ponto de vista do processo penal, as prerrogativas constitucionais”, numa
referência à quebra de sigilos telefônicos. Isso do ponto de vista formal.
“Do ponto de vista
político, quando eu vejo aquele pessoal do DEM e do PSDB dizem que querem
passar o país a limpo, eu não posso concordar que isso seja sério. É só uma
disputa política. Querem manipular um sentimento legítimo, as pessoas estão
enojadas”. Todavia, logo em seguida, o deputado reconhece que nenhum partido
tem credibilidade aos olhos da população. “Esse é o desafio, criar um polo
alternativo”.