Caso seja aprovada
pelo Congresso Nacional em tempo hábil, a proposta de antecipação da eleição
presidencial para 2 de outubro aumentará os gastos da Justiça eleitoral em 50%
em 2016. A estimativa, feita pelo Tribunal Superior Eleitoral é de um gasto
adicional de R$ 400 milhões aos R$ 800 milhões já estipulados para a disputa
municipal. Ou seja, a escolha simultânea de prefeitos e vereadores, presidente
e vice implicará um gasto público de R$ 1,2 bilhão.
“Se houver segundo
turno, as eleições ocorrerão em todos os municípios brasileiros. Em se tratando
de eleições municipais, o segundo turno só ocorre nas cidades com mais de 200
mil habitantes”, justifica o tribunal, por meio de sua assessoria de imprensa.
O TSE reconhece que
há viabilidade técnica para unir as duas disputas ou realizar, na mesma data,
além da eleição municipal, um plebiscito para ouvir os eleitores sobre uma
eventual antecipação da eleição presidencial – outra medida cogitada por
integrantes do governo. “Há condições técnicas para realizar as eleições
municipais e gerais juntas, e até plebiscito, se for o caso. Quanto ao tempo
hábil, dependerá de quando essas decisões seriam tomadas pelo Congresso
Nacional”, afirma a corte, sem especificar o prazo necessário para que a
organização fosse possível ainda este ano.
A viabilidade
técnica e o custo da operação, porém, estão longe de representar os maiores
obstáculos à antecipação da escolha do novo presidente. A proposta surgiu logo
após a Câmara dar andamento ao processo de impeachment contra Dilma Rousseff. A
possibilidade é defendida por um grupo de senadores que se autointitulam
independentes, entre defensores e contrários ao afastamento da petista. Na
avaliação deles, esta é a única saída para a crise, qualquer que seja a decisão
do Senado. Para eles, nem Dilma tem mais condições de governar, nem Michel
Temer tem legitimidade para concluir o mandato presidencial.
Na semana passada,
parlamentares entregaram ao ministro Jaques Wagner, chefe de gabinete da
Presidência da República, uma carta em que pedem a Dilma “grandeza” para abrir
mão do cargo e apoiar a antecipação da escolha de seu sucessor. Segundo o
jornal O Globo, a presidente considera enviar uma proposta nesse sentido ao Congresso
como “cartada final”. Para isso, no entanto, é necessário que o vice Michel
Temer faça mesmo – algo fora de cogitação pelo vice-presidente, que considera a
mudança um “golpe” por não estar previsto na Constituição em caso de
impeachment.
No último dia 18,
um grupo de senadores apresentou uma proposta de emenda constitucional (PEC
20/2016) para que as disputas municipal e presidencial ocorram nas mesmas datas
em outubro, no primeiro e no segundo turno. O caminho para que isso ocorra é
dos mais complicados. Para ser aprovada, a PEC precisa do apoio de pelo menos
308 deputados e de 49 senadores, em dois turnos de votação em cada Casa. No dia
17, apenas 167 deputados votaram contra o impeachment de Dilma.
Outro entrave da
proposta é o tempo hábil para que ela seja discutida, aprovada e organizada
pelo TSE. No Congresso, o tempo mínimo de tramitação de uma PEC gira em torno
de dois meses.
O presidente eleito
do TSE, Gilmar Mendes, é radicalmente contra a antecipação. “Essa não é uma
ideia séria. Do ponto de vista jurídico, há uma série de etapas que precisam
ser cumpridas. Do ponto de vista procedimental, seria praticamente impossível
conseguir colocá-la em prática diante das dificuldades que é se fazer uma
eleição no Brasil. Do ponto de vista político, seria praticamente impossível”,
argumentou.
Também tramita no
Congresso, ainda que sem o mesmo alarde, a proposta do deputado Domingos Neto
(PSD-CE) que prevê a convocação de plebiscito para consultar o eleitorado sobre
a realização de nova eleição para a Presidência. A PEC foi apresentada na
semana que antecedeu a votação do impeachment na Câmara (17 de março), está
sujeita à apreciação do Plenário e aguarda distribuição pela Mesa Diretora da
Câmara.