O Brasil registrou
10% da taxa internacional desse tipo de crime no mesmo ano. Os dados são da
última pesquisa divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Tal estudo aponta
que, no mundo, houve 437 mil pessoas mortes intencionais em 2012, incluindo
criminalidade, atentados e guerras. Do todo, o Brasil teve 50.062, enquanto o
Ceará registrou 3.657. De lá para cá, o número só cresceu. Na última pesquisa
divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – que cede os números para
a ONU –, o estado cearense contabilizou 4.490 mortes em 2014.
Comparação
Em cinco anos, o
índice quase dobrou no Ceará. Em 2010, foram 2.755 homicídios. Em 2011, 2.762.
Nessa época, a taxa não chegava a 3 mil. Agora, a luta é para chegar novamente
a esse número. Com a taxa de população estimada em 2015 de 8.904.459 de
moradores (dado do IBGE), o estado é um dos mais “perigosos” no país.
Em São Paulo, estado que continha fama de violento, houve
uma redução dos
casos nos últimos cinco anos. Em 2010, foram registrados 4.321. Já em 2011, o
índice cresceu para 5.180, o ápice desse período. Entretanto, em 2014, a taxa
diminuiu para 4.182 – menos que o Ceará –, sendo que a população estimada de
2015 é de 44.396.484 moradores.
Enquanto o Ceará
responde por quase 1% dos assassinatos no planeta, a população do estado
corresponde a cerca de 0,12% dos habitantes da Terra, o que indica a taxa
exorbitante da criminalidade local. Segundo a ONU, o mundo tem 7,3 bilhões de
pessoas em 2015.
O professor da
Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Laboratório de Estudos da
Violência (LEV) César Barreira considera que não há um fator específico para o crescimento do número de assassinatos. Ele acredita que é
uma combinação de fatores, e que a diminuição não será de forma
abrupta.
“As políticas que
envolvem diminuição se dão a médio e longo prazo. Diferentemente de roubo e
furto, que pode ser de curto e médio prazo, a maior presença de policiais nas
ruas já colabora com a diminuição desses delitos”, explica.
Já em relação ao
homicídio, não é a quantidade de policiais na rua que vai fazer a diferença.
Para o professor, a ausência de políticas públicas de segurança, as
desigualdades sociais e o número alto de população que convive com a
vulnerabilidade são os três aspectos que intensificam a realização desse tipo
de crime.
“Não podemos
descartar o comércio de drogas ilícitas. Ele vai ser fator muito importante,
pois vamos ter pessoas morrendo nesse cenário de disputa de territórios,
dívidas cobradas. A questão está no ponto de rota da droga, no aumento de
circulação de droga no Ceará”.