Segundo
dados do Ministério da Saúde, em pouco mais de três meses um surto de microcefalia atingiu
sete estados brasileiros, registrando 399 casos em recém-nascidos. Pernambuco
lidera com 268 notificações de bebês com a doença, seguido de Sergipe
(44), Rio Grande do Norte (39), Paraíba (21), Piauí (10), Ceará (9) e Bahia (8). Por
declaração do órgão, a notificação e investigação de casos da doença são uma emergência em saúde pública de importância
nacional.
No mesmo
dia da divulgação, a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), por meio do
Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Coordenadoria de Promoção e Proteção à
Saúde emitiu nota de orientação quanto a detecção, notificação, investigação e
conduta frente aos casos de microcefalia no estado. Até o momento,
considerando os casos de microcefalia detectados nos formulário da Sesa, 16 pacientes
nasceram com a anomalia este ano. Todos serão avaliados para saber quais
atendem as definições estabelecidas.
O que é a microcefalia?
Condição
tida como rara, trata-se de uma má formação no cérebro que pode levar a problemas graves no desenvolvimento da criança.
Na atual situação, a investigação da causa tem preocupado as autoridades de
saúde, de acordo com o ministério. Neste caso, os bebês nascem com perímetro
cefálico menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 centímetros.
O defeito
congênito pode ser efeito de uma série de fatores, como substâncias químicas,
agentes biológicos infecciosos, como bactérias, vírus e radiação. “O vírus
atravessa a placenta e compromete a formação do sistema nervoso central,
principalmente no primeiro trimestre de gestação”, explica a neuropediatra
infantil Margarida de Pontes Medeiros.
De acordo
com a neuropediatra, quando existe microcefalia grave, decorrente de alterações
importantes da formação do cérebro, a expectativa de vida é reduzida aos primeiros anos de vida. “São
crianças que podem ter complicações, vindo a falecer antes da idade adulta. As limitações decorrentes da
doença são várias, dependendo do grau de comprometimento. Pode haver
atraso motor; intelectual; quadros convulsivos e comportamentais secundários;
alterações de equilíbrio e coordenação e alterações de outras áreas, como da
fala e compreensão”, detalha.