A degradação do principal rio do Estado, o Jaguaribe, foi discutida em
audiência pública realizada na tarde desta terça-feira (15/03), na Comissão de
Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semiárido da Assembleia Legislativa.
Na avaliação do
deputado Heitor Férrer (PSB), requerente do debate, é necessário cobrar ação
dos municípios na preservação do curso d’água, especialmente com a promoção do
saneamento básico nas cidades. Segundo o deputado, somente 30% das residências
no Ceará têm acesso ao esgotamento sanitário. “Não é possível que as cidades
ainda tenham condições tão desastradas em saneamento básico”, criticou o
parlamentar.
A fotógrafa Sheila
Oliveira, que sugeriu o tema da audiência, alertou para a situação do rio
Jaguaribe. Ela é autora do livro “Rio Jaguaribe: memória no tempo e nas águas”,
que apresenta fotos da nascente à foz do rio. “Vimos o total desleixo com o rio
e problemas com pequenas comunidades, que vivem dele e são impedidas de
desenvolver a atividade da pesca”, informou. Sheila Oliveira lembrou ainda que
a memória do Ceará passa pelo rio Jaguaribe.
Para o gerente de
Controle Ambiental da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace),
Carlos Alberto Mendes Júnior, há uma forte pressão sobre a bacia do Rio
Jaguaribe. Ele lembrou que o rio é responsável pelo abastecimento de água das
cidades por onde passa, além de receber os dejetos de esgoto desses municípios.
Segundo Carlos
Alberto, a Semace conta com 29 fiscais para fazer a inspeção ambiental em todo
o Estado. Por isso, para promover um trabalho mais abrangente, ele defendeu a
participação dos municípios no trabalho de fiscalização.
De acordo com a
orientadora de Unidades de Conservação da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará
(Sema), Luzilene Pimentel Sabóia, “o rio Jaguaribe pede socorro e merece nossa
atenção”. Ela defendeu que a discussão sobre a preservação do rio seja feita
nos municípios cortados por ele, além de desenvolver atividades de educação
ambiental para a população.
O assessor de
Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente da Associação dos Municípios do Estado do
Ceará (Aprece) criticou o fato de haver uma “descentralização de obrigação para
os municípios sem descentralização de condições e recursos” em áreas como
saúde, educação e meio ambiente. Entretanto, ele também defendeu que os
diferentes entes públicos devem agir como parceiros, e não como concorrentes na
proteção ao meio ambiente.
Já o presidente do
Memorial da Carnaúba, Afro Negrão, lamentou a destruição dos carnaubais no
interior do Ceará. Ele destacou ainda a importância da árvore no extrativismo
vegetal (com a retirada da cera e do pó), além do uso da palha no artesanato.
Afro Negrão criticou também a proliferação de criatórios de camarão, que
estariam poluindo o rio Jaguaribe com o lançamento de dejetos.