Quatro pessoas foram presas no Ceará neste domingo
(6) por suspeita de fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os dados
das operações foram divulgados pela Polícia Federal. As prisões aconteceram em Fortaleza,
Independência, Juazeiro do Norte e Cedro. Os flagrantes envolveram celular
escondido, gabarito escrito na roupa e dispositivos eletrônicos. Até a noite
deste domingo, conforme a PF, todos continuavam presos.
Além do flagrante na capital cearense, em que um
secretário de saúde foi identificado com equipamento eletrônico preso ao corpo com pontos de escuta nos ouvidos, outras
tentativas de fraudes foram registradas no interior.
Em Independência, uma candidata foi presa em flagrante com um segundo celular
na bolsa, com gabarito.
Já em Juazeiro do Norte,
também em flagrante, uma candidata foi presa quando estava com um gabarito
escrito na roupa.
Em Cedro, no Centro
Sul do estado, a Polícia Militar prendeu um candidato com dispositivo.
Ponto
eletrônico em Fortaleza
Na capital cearense, um candidato de 34 anos foi preso em flagrante com
equipamento eletrônico preso ao corpo com pontos de escuta nos ouvidos
Em Fortaleza, a Polícia Federal prendeu em flagrante um candidato que estava com um
equipamento eletrônico preso ao corpo com pontos de escuta nos ouvidos, durante
realização do Enem neste domingo (6). O homem, de 34 anos, disse, em
depoimento, que trabalha como secretário de saúde de um município cearense.
A delegada da PF Fernanda Coutinho, coordenadora
regional do Enem no Ceará, disse que o candidato afirmou ser gestor em Alto
Santo. Ao G1, a assessoria
da Prefeitura de Alto Santo informou que está apurando o caso e que, até a
noite deste domingo, não conseguiu contato com o atual secretário por telefone.
Destacou ainda que é mantida "uma relação apenas profissional" e que
o gestor não mora na cidade. A administração municipal acrescentou que vai
aguardar a apuração dos fatos e que, "se confirmado o caso", vai
tomar as medidas e providências administrativas cabíveis.
A PF informou que o candidato foi identificado após deflagração da Operação
Embuste, em Minas Gerais, que identificou que um dos candidatos beneficiados no
esquema de fraude fazia prova em uma universidade no Centro de Fortaleza.
Ele foi encaminhado à sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no
Ceará, onde prestou depoimento.
Fraudes
no Enem
A Polícia Federal realizou neste domingo operações em pelo menos 8 estados para
combater fraudes contra o Enem, que acontece neste fim de semana.
Uma das operações foi conduzida pela Polícia Federal em Montes Claros (MG) e
teve como alvo uma organização criminosa suspeita de fraudar processos
seletivos para universidades e que teria também agido no Enem.
Chamada de "Embuste", a operação cumpriu
28 mandados judiciais, sendo 4 de prisão temporária, 4 de condução coercitiva
(quando alguém é levado para depor), 15 de busca e apreensão e outros 5 de
sequestro de bens.
De acordo com a PF, a organização criminosa utilizava uma central de telefonia
celular para repassar gabaritos de provas para candidatos. O principal alvo
eram cursos de medicina.
"No decorrer das investigações, a Polícia Federal conseguiu identificar o
repasse de gabaritos, mediante moderna central telefônica via celular, para
candidatos situados em diversas partes do país, em evidente fraude ao
Enem/2016", diz a nota da PF.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, além do Enem o grupo já teria fraudado,
em 2016, vestibulares realizados nas cidades de Mineiros (GO) e Vitória da
Conquista (BA), realizados em outubro.
O Ministério da Educação e o Inep, órgão
responsável pela aplicação do Enem, informaram que acompanham as operações da
PF, mas que elas não afetaram a realização das provas neste segundo dia do
exame.