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“milagre da hóstia” Devotos esperam perdão do Vaticano a beata

devotos da beata Maria de Araújo pedem também o perdão do Vaticano para a religiosa

A repercussão da reconciliação do Padre Cícero com a Igreja Católica chamou a atenção de todo o Brasil. Mas o personagem principal do “milagre da hóstia”, acontecido em 1889, a beata Maria de Araújo, caiu no esquecimento, já que o milagre não foi aceito pelo Vaticano. A cearense é uma das principais figuras religiosas de Juazeiro do Norte, e por isso devotos aguardam, também, sua reconciliação com a Santa Sé.

“A beata é uma pessoa muito importante para a história do Juazeiro do Norte, a protagonista principal do milagre da hóstia e, de fato, ela continua punida pela Igreja. Está faltando, também, a sua reconciliação com a Igreja Católica, e é isso que os devotos estão aguardando. Acredito que tudo tem seu tempo, então o tempo da beata também vai chegar. Há uma apreensão muito grande entre os devotos esperando que, já que o Padre Cícero foi reconciliado, que ela também o seja”, aponta o historiador Daniel Walker

De acordo com a psicóloga e professora universitária Maria do Carmo Paganforte, Maria de Araújo sempre teve devotos, mas seu protagonismo não teve um alcance tão grande quanto o de Padre Cícero. Primeiro porque o Padre Cícero já é uma figura de santidade. Em segundo lugar, pelo estigma dela ter sido uma mulher negra e analfabeta, mesmo que tenha sido um instrumento para a manifestação divina.

“A beata tem, hoje, uma visibilidade maior do que ela tinha há 20 anos. Saiu dela o peso que ela tinha feito um truque para o sangramento da hóstia. Agora, com a reconciliação do Padre Cícero, ela vai ficar mais presente. A beata era negra, era mulher e analfabeta, e nossa sociedade, ainda hoje, tem um preconceito enorme com pessoas negras, analfabetas, e a mulher é sempre colocada em um lugar ínfimo. Então é muito complicado você fazer uma previsão do que vai acontecer com a beata agora”, destaca.

Para o bispo da diocese do Crato, dom Fernando Panico, um inquérito para investigar a vida da beata deveria ser feito, assim como fizeram com Padre Cícero, que foi reconciliado. A carta do Vaticano não cita Maria de Araújo porque, de acordo com o bispo, são casos parecidos, mas diferentes e que correm em paralelo.

“Quanto ao processo dela, devemos ter nossa devida prudência, porque não podemos nos afobar. Nada impede que se comece um processo de reconciliação também. A história da beata igual a história do Padre Cícero, pois, se o Padre Cícero não tivesse sido condenado, a beata Maria de Araújo não deveria. Espero que um dia possa se fazer justiça a respeito dessa mulher”, frisa.

Foi a partir do milagre da hóstia, protagonizado pela beata Maria de Araújo, que Padre Cícero começou a levar multidões para o então vilarejo de Juazeiro. Assim como o religioso, a beata também foi hostilizada pelo clero da época, ficando reclusa em casa até a sua morte, em 1914. Em 1930, o túmulo da beata dentro da Capela do Socorro foi violado, e seus restos mortais foram retirados. Até hoje não se sabe o paradeiro de sua ossada. Em comemoração ao centenário de morte da beata, a Prefeitura de Juazeiro, junto com a diocese do Crato, realizou um enterro simbólico de Maria de Araújo.

22 de DEZ de 2015 às 09:07:03
Fonte: Tribuna do Ceará
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A repercussão da reconciliação do Padre Cícero com a Igreja Católica chamou a atenção de todo o Brasil. Mas o personagem principal do “milagre da hóstia”, acontecido em 1889, a beata Maria de Araújo, caiu no esquecimento, já que o milagre não foi aceito pelo Vaticano. A cearense é uma das principais figuras religiosas de Juazeiro do Norte, e por isso devotos aguardam, também, sua reconciliação com a Santa Sé.

“A beata é uma pessoa muito importante para a história do Juazeiro do Norte, a protagonista principal do milagre da hóstia e, de fato, ela continua punida pela Igreja. Está faltando, também, a sua reconciliação com a Igreja Católica, e é isso que os devotos estão aguardando. Acredito que tudo tem seu tempo, então o tempo da beata também vai chegar. Há uma apreensão muito grande entre os devotos esperando que, já que o Padre Cícero foi reconciliado, que ela também o seja”, aponta o historiador Daniel Walker

De acordo com a psicóloga e professora universitária Maria do Carmo Paganforte, Maria de Araújo sempre teve devotos, mas seu protagonismo não teve um alcance tão grande quanto o de Padre Cícero. Primeiro porque o Padre Cícero já é uma figura de santidade. Em segundo lugar, pelo estigma dela ter sido uma mulher negra e analfabeta, mesmo que tenha sido um instrumento para a manifestação divina.

“A beata tem, hoje, uma visibilidade maior do que ela tinha há 20 anos. Saiu dela o peso que ela tinha feito um truque para o sangramento da hóstia. Agora, com a reconciliação do Padre Cícero, ela vai ficar mais presente. A beata era negra, era mulher e analfabeta, e nossa sociedade, ainda hoje, tem um preconceito enorme com pessoas negras, analfabetas, e a mulher é sempre colocada em um lugar ínfimo. Então é muito complicado você fazer uma previsão do que vai acontecer com a beata agora”, destaca.

Para o bispo da diocese do Crato, dom Fernando Panico, um inquérito para investigar a vida da beata deveria ser feito, assim como fizeram com Padre Cícero, que foi reconciliado. A carta do Vaticano não cita Maria de Araújo porque, de acordo com o bispo, são casos parecidos, mas diferentes e que correm em paralelo.

“Quanto ao processo dela, devemos ter nossa devida prudência, porque não podemos nos afobar. Nada impede que se comece um processo de reconciliação também. A história da beata igual a história do Padre Cícero, pois, se o Padre Cícero não tivesse sido condenado, a beata Maria de Araújo não deveria. Espero que um dia possa se fazer justiça a respeito dessa mulher”, frisa.

Foi a partir do milagre da hóstia, protagonizado pela beata Maria de Araújo, que Padre Cícero começou a levar multidões para o então vilarejo de Juazeiro. Assim como o religioso, a beata também foi hostilizada pelo clero da época, ficando reclusa em casa até a sua morte, em 1914. Em 1930, o túmulo da beata dentro da Capela do Socorro foi violado, e seus restos mortais foram retirados. Até hoje não se sabe o paradeiro de sua ossada. Em comemoração ao centenário de morte da beata, a Prefeitura de Juazeiro, junto com a diocese do Crato, realizou um enterro simbólico de Maria de Araújo.

22 de DEZ de 2015 às 09:07:03
Fonte: Tribuna do Ceará