O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (6) derrubar uma
lei do Ceará que regulamentava a vaquejada, tradição cultural nordestina na qual um
boi é solto em uma pista e dois vaqueiros montados a cavalo tentam derrubá-lo
pela cauda.
Por 6 votos a 5, os ministros consideraram que a
atividade impõe sofrimento aos animais e, portanto, fere princípios
constitucionais de preservação do meio ambiente.
O governo do Ceará dizia que a vaquejada faz parte
da cultura regional e que se trata de uma atividade econômica importante e
movimenta cerca de R$ 14 milhões por ano.
Apesar de se referir ao Ceará, a decisão servirá de
referência para todo o país, sujeitando os organizadores a punição por crime
ambiental de maus tratos a animais.
Caso algum outro estado tenha legalizado a prática,
outras ações poderão ser apresentadas ao STF para derrubar a regulamentação.
Votaram contra a vaquejada o relator da ação, Marco
Aurélio, e os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Celso de Mello, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski.
A favor da prática votaram Edson Fachin, Gilmar
Mendes, Teori Zavascki, Luiz Fux e Dias Toffoli.
Votos
O julgamento começou em agosto do ano
passado. Em seu voto, Marco Aurélio considerou que a proteção ao
meio ambiente, neste caso, deveria se sobrepor ao valor cultural da prática.
O ministro detalhou que, no evento, o boi é
enclausurado, açoitado e instigado a correr, momento em que um dupla de
vaqueiros montados a cavalo tenta agarrá-lo pela cauda. O rabo do animal é
torcido até que ele caia com as quatro patas para cima.
"Ante os dados empíricos evidenciados pelas
pesquisas, tem-se como indiscutível o tratamento cruel dispensado às espécies
animais envolvidas. Inexiste a mínima possibilidade de um boi não sofrer
violência física e mental quando submetido a esse tratamento", disse à
época.
Nesta quinta, a presidente do STF, ministra Carmen
Lúcia, elogiou a ação de inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria Geral
da República.
"Sempre haverá os que defendem que vem de
longo tempo, se encravou na cultura do nosso povo. Mas cultura se muda e muitas
foram levadas nessa condição até que se houvesse outro modo de ver a vida, não
somente ao ser humano", disse a ministra.