A Transposição do Rio São Francisco é citada como uma das obras que
precisam ter uma "prioridade maior", embora haja o reconhecimento de
que ela não resolve o problema e sejam necessárias outras obras hídricas
Os governadores também cobraram o andamento de diversas ações para o
desenvolvimento do País e do Nordeste, entre as quais a retomada das obras da
Transnordestina e outras de infraestrutura ( Foto: Honório Barbosa )
Os governadores do
Nordeste decidiram que não concordam com o acordo de ajuste fiscal exigido pela
União - condição para acessar parte dos recursos das multas do programa de
regularização de ativos não declarados à Receita, conhecido como Lei da
Repatriação. Em carta elaborada em reunião na última sexta-feira, eles relatam
que os ajustes fiscais nos estados já vêm sendo realizados desde 2015 e ainda
cobram o andamento de temas que consideram essenciais ao desenvolvimento
nacional e regional.
Entre as cobranças, os governadores listam a
priorização do Nordeste no programa de concessões e novos leilões da Agência
Nacional de Petróleo (ANP), além de ações de convivência com a seca e a
retomada da Transposição do Rio São Francisco e demais obras hídricas; a
retomada das obras da Transnordestina e de outras obras de infraestrutura; a
liberação de empréstimos e dos recursos do fundo penitenciário, além de ações
de segurança pública; o fortalecimento do Banco do Nordeste e do Fundo
Constitucional do Nordeste (FNE); e a apresentação de alternativas para o
subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o enfrentamento das
arboviroses.
Divulgação
Os governadores nordestinos divulgarão a carta e pedirão uma nova audiência com o presidente Michel Temer, segundo a reportagem apurou, mas até a noite de ontem não foi confirmada a data. Eles argumentam que o conjunto dos estados saiu de um déficit primário de R$ 9,5 bilhões, em 2014, para um resultado positivo de R$ 6,5 bilhões ao final de 2015. Além disso, a despesa primária, que a União pretende atrelar ao IPCA, cresceu apenas 2,36% entre 2014 e 2015 - bem abaixo do IPCA, que ficou em 6,41% em 2014. Os governadores apontam que a receita bruta cresceu 5,38% em 2015. "Destaque-se neste resultado o crescimento de 7% das receitas de arrecadação própria. Enquanto isso, as receitas das transferências da União aos estados cresceram apenas 1% nominal no período", relatam.
O consenso entre os gestores é que não é possível relacionar as
questões do ajuste fiscal e do repasse dos recursos da Lei da Repatriação, nem
determinar um modelo de ajuste único para todas as unidades da federação. Eles
informaram ainda que não vão retirar as ações que correm no Supremo Tribunal
Federal (STF) para receber os valores. "Vamos aguardar a Justiça. Temos
uma liminar que já garantiu o depósito em juízo e a gente entende que a multa
tem que ser repartida entre estados e municípios", disse o governador de
Pernambuco, Paulo Câmara.
As multas da
repatriação são aplicadas em cima de ativos mantidos por brasileiros no
exterior que não recolheram impostos de forma devida. O montante estimado pelos
estados a ser recebido é de cerca de R$ 5,2 bilhões. Existe um impasse sobre o
direito dos estados e municípios em receber parte dos valores arrecadados com
as punições, o que levou governos estaduais a judicializarem o caso.
Na terça-feira
(22), Temer recebeu os governadores de todo o País e anunciou que o governo se
anteciparia à decisão do STF e liberaria os recursos da repatriação. Mas, os estados
teriam que fazer ajustes fiscais semelhantes aos propostos pela União, como a
PEC 55, que estabelece o teto de gastos federal. Também seria preciso desistir
das ações judiciais. Na última sexta, o governador do Ceará, Camilo Santana,
disse que o Estado já tem adotado medidas de austeridade e que "não cabe à
União dizer o que é que os estados têm de fazer". "Cabe a cada um,
com a sua responsabilidade, tomar as medidas necessárias, com austeridade, para
manter o equilíbrio".