A Lei Seca completa oito anos com número recorde de
multas no Ceará. Foram 5.834 infrações no primeiro semestre deste ano, duas mil
a mais que no mesmo período do ano anterior, quando foram aplicadas 3.975
multas nas rodovias cearenses, de acordo com o Departamento Estadual de
Trânsito (Detran).
Foram registradas também 275 prisões com base na
Lei Seca, quando o motorista é flagrado dirigindo com alto índice de álcool no
sangue.
De acordo com o coordenador de blitz do Detran, Ribamar Diniz, o aumento no
número de multas ocorre principalmente devido ao reforço da fiscalização do
órgão. "As blitze são direcionadas para o entorno de restaurantes, bares e
clubes de forró. De quinta a domingo essa fiscalização é intensificada e
consequentemente há mais multas", afirma.
Conforme a lei, o motorista flagrado com
índice de 0,05 mg/l e 0,33 mg/l leva multa de R$ 1.945 e comete infração
gravíssima. Pode ter a habilitaçlão suspensa por 12 meses. Com índice superior
a 0,34, o condutor responde judicialmente por crime de trânsito.
As quase seis multas no primeiro semestre deste ano
somam o valor de R$ 11,3 milhões. A partir de novembro deste ano, a multa vai
ficar ainda mais cara, e o infrator pagará o valor de R$ 2.930.
Efeitos
da lei
Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, o percentual de adultos que admitem
beber e dirigir em Fortaleza teve queda de 54,1%. No ano passado, 3,3% da
população da cidade declararam que dirigiam após o consumo de qualquer
quantidade de álcool, contra 7,2% no ano de 2012. Os homens da capital do Ceará
(6,1%) continuam assumindo mais a infração do que as mulheres (1,1%).
No conjunto das 27 capitais estudadas pela
pesquisa, 5,5% dos indivíduos referiram conduzir veículos após o consumo de
bebidas alcoólicas, contra os 7% de 2012 – uma queda nacional de 21,5%. Assim
como foi constatado em Fortaleza, a proporção nacional é maior entre homens
(9,8%) do que entre mulheres (1,8%).
Apesar disso, desde o endurecimento da lei seca
menos homens têm assumido os riscos da mistura álcool/direção na média das 27
capitais pesquisadas: a redução foi de 22,2%, entre 2012 e 2015, na população
masculina.