Na Assembleia Legislativa
do Ceará, os trabalhos na sessão de ontem terminaram de maneira inesperada. O
deputado estadual Renato Roseno (PSOL) não conseguiu discursar no quinto tempo
para o qual estava inscrito no Primeiro Expediente da Casa porque, após ceder a
Osmar Baquit (PSD) dois minutos dos 15 que lhe estavam reservados, foi iniciada
uma confusão entre parlamentares que tornou impossível a continuidade da sessão
legislativa.
O deputado estadual
Agenor Neto (PMDB) falou por 30 minutos, usando seu tempo e o do correligionário
Tomaz Holanda. Neste espaço, elogiou o programa de interiorização do BPRaio,
mas criticou o fato de o Governo do Estado levar mais policiais a municípios
cearenses sem antes equipá-los com cadeias ou delegacias que possam receber os
presos. "Quem não quer ter esse programa em sua região? Mas, para
funcionar efetivamente, precisa ter onde colocar o bandido, e na região
Centro-Sul não tem. A Cadeia está interditada e na Delegacia não cabe mais
bandido", citou.
O estopim da
confusão, contudo, foi parte do relato de Agenor Neto dando conta de que,
enquanto o governador Camilo Santana participava da cerimônia de instalação do
grupamento do Raio em Iguatu, no último sábado (20), um grupo de manifestantes
seguiu para o local em busca de diálogo com o governador, mas teria sido
agredido com spray de pimenta.
"Eram
agricultores que estão inseguros porque o Governo vai secar o açude Orós, como
fez com o Baixo Jaguaribe. Também estavam ali estudantes que cobrariam um plano
de ações que possa melhorar a estrutura de Educação", contou. "As
pessoas foram ordeiramente, diferente do que o Governo vende. Se dirigiam de
forma pacífica para o local do lançamento do Raio e esse mesmo Governo mandou
jogar spray de pimenta nos cidadãos", prosseguiu. Segundo ele, após o
episódio, a população vaiou Camilo.
Defesa
No entanto, passados
os trinta minutos relativos aos dois tempos e mais três de tolerância dados
pelo presidente da sessão, Manoel Duca (PDT), não sobrou espaço para a defesa
da base aliada do Governo do Estado. Tão logo Renato Roseno subiu à tribuna,
Osmar Baquit pediu que o socialista lhe cedesse dois minutos do tempo para
defender a gestão, "já que Agenor não deu a oportunidade".
Com o pedido
acatado, Baquit contestou o peemedebista, dizendo que acompanhou a movimentação
no local. "Não estou aqui para brigar, mas para falar a verdade, e não foi
a população organizada, mas vereadores ligados a Vossa Excelência, puxados por
seu tio 'Zé Marmita'. Ele estava lá insuflando, usando palavras de baixo calão.
Eu ouvi, pois estava lá", rebateu.
Foi então que Tomaz
Holanda, correligionário de Agenor Neto, tentou interferir na fala do
governista e ouviu de Osmar Baquit que o momento não precisava de
"ventríloquo". A palavra enfureceu Holanda que, apoiado por Agenor
Neto, seguiu em direção à bancada da base do Governo, de onde falava Baquit.
Os parlamentares só
não entraram em luta corporal porque um servidor da Assembleia e o líder do
Governo, Evandro Leitão (PDT), interferiram, tomando literalmente a frente da
situação. Coube a assessores, militares e outros deputados afastá-los e
evitarem a troca de socos.
O clima ficou
tenso, com insultos de ambas as partes. Manoel Duca, então, optou por suspender
os trabalhos até que os ânimos se acalmassem. Cerca de meia hora depois, com
todas as partes ainda no Plenário 13 de Maio, o líder do PMDB, Danniel
Oliveira, que na ocasião sucedia Duca, deu por encerrada a sessão com a
justificativa de "evitar o agravamento do ocorrido".
Expectativa
Finalizado o
expediente, Baquit seguiu para o estacionamento subterrâneo da Assembleia,
escoltado por Evandro Leitão, assessores e militares, enquanto os peemedebistas
se reuniram em uma sala ao lado do plenário.
Cerca de quinze
minutos depois, todos já haviam se retirado e as luzes do local, reservado para
discussões que dizem respeito aos cearenses, função legítima do Plenário 13 de
Maio, foram apagadas, deixando expectativa de como será a sessão da próxima
terça-feira (30), quando voltam as atividades na Casa Legislativa. Inscritos
para ontem, Roseno e Fernanda Pessoa (PR) têm espaço assegurado no próximo expediente.