Já são 36 os
municípios cearenses denunciados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do
Estado do Ceará (TCM-CE) ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Ontem, as cidades de Acopiara, Caucaia, Senador Pompeu, Baturité e Quixeramobim
foram reveladas com contas irregulares, conforme fiscalização ocorrida entre os
dias 21 e 25 de novembro.
O trabalho de
apresentação dos relatórios das fiscalizações relacionadas à Operação
Anti-Desmonte começou em 28 de outubro. De lá cá, o TCM tem ido sempre às
segundas-feiras à Sede do MPCE, em Fortaleza, com novos dados em que são
mostrados, desde constatações de descontrole patrimonial até afronta à
responsabilidade fiscal.
O próximo relatório
envolverá os municípios de Abaiara, Maranguape, Morada Nova, Alto Santo e
Tabuleiro do Norte, com os relatórios ainda em andamento. Ainda ontem, foram
iniciados os trabalhos de fiscalização nas cidades de Barreira, Hidrolândia e
Jaguaruana.
Afastamento
Também na reunião
ocorrida na manhã de ontem, a procuradora-geral de Justiça em exercício, Vanja
Fontenele, disse que os documentos entregues anteriormente já embasaram ações
judiciais das Promotorias de Justiça e da Procuradoria dos Crimes contra a
Administração Pública (Procap), resultando no afastamento dos prefeitos de
Baturité, Canindé, Caririaçu, Juazeiro do Norte, Milagres e Paramoti.
A situação de
desmonte foi objetivo, inclusive, de um Seminário promovido pela Federação dos
Trabalhadores Municipais do Ceará (Fetamce), na semana passada, quando o
destaque foi não apenas os salários atrasados, mas serviços essenciais que estão
sendo prejudicados pelos gestores que não conseguiram a reeleição ou não
tiveram seus correligionários eleitos no último sufrágio. Além de demissões,
falta de pagamento, inclusive o 13º mês, outras irregularidades verificadas nas
cidades mais afetadas pelo desmonte são irregularidades na aquisição,
fornecimento e armazenagem da merenda escolar (como itens insuficientes,
vencidos, estragados, com presença de inseto, falta de refrigeração); elevado
endividamento; falta de merenda escolar; paralisação de transporte escolar
devido à descontinuidade administrativa (atraso no pagamento dos contratos,
falta de combustíveis, e suspensão de rotas).
O presidente da
Associação dos Prefeitos e Municípios do Ceará (Aprece), Expedito José do
Nascimento, disse que há muitos exageros ao se identificar possíveis casos de
desmonte. Na sua opinião, essa é uma ideia que se torna mais crescente nos
municípios onde a eleição foi mais acirrada. Segundo ele, o fato mais
determinante para o atraso, não apenas de servidores, mas também de dos
fornecedores, é queda nas receitas, que penalizam os gestores. Por outro lado,
disse que há bastante rigor para se punir aqueles que comprovadamente afrontam
a lei.