Deputados cearenses
ficaram divididos quanto à votação no Senado que tornou, na madrugada de ontem,
a presidente afastada Dilma Rousseff ré no processo de impeachment, com 59
votos favoráveis à cassação de seu mandato. Parlamentares entrevistados pelo
Diário do Nordeste acreditam que, com o fim do rito, e Michel Temer assumindo a
Presidência em definitivo, a situação econômica do País deve dar sinais reais
de melhoria.
Outros
parlamentares, apesar de considerarem inevitável o impedimento de Dilma,
afirmaram, porém, que nada mudará caso o Governo de Temer passe confiança para
o setor econômico. Houve, ainda, quem disse que o processo de impeachment em
curso no Congresso Nacional representa uma ruptura democrática que trará
consequências "sem precedentes" à democracia brasileira no futuro.
Para Carlos Felipe
(PCdoB), tudo já está definido e dificilmente Dilma permanecerá no poder.
Segundo ele, o questionamento a ser feito é se foi um processo de impeachment
justo ou não. "O que ela fez foi apenas uma suplementação orçamentária
para garantir a expansão do Minha Casa, Minha Vida e o Garantia Safra, além de
isentar imposto do empresariado. Mas o que está acontecendo é uma ruptura
democrática, e daqui a uns anos nossos netos estarão lendo isso nos livros de
história", opinou.
Na avaliação do
deputado estadual, o correto seria a realização de plebiscito para saber se a
população quer novas eleições. No entanto, ele foi um dos parlamentares que
defenderam que Dilma, quando do ponto alto da crise em seu Governo, deveria ter
proposto a ideia, destacando que a petista não obteve sucesso em seu segundo
mandato, não conseguindo enfrentar a crise.
"Nós vimos um
País dividido, e um Congresso com muitas pautas bombas que levaram o Brasil
para o buraco. A melhor forma seria ela (Dilma) ter renunciado para podermos
ter um Governo que pudesse fazer o País voltar ao desenvolvimento",
afirmou.
Falta de unidade
Mesmo com Temer
sendo confirmado como presidente da República, Carlos Felipe não acredita que
haverá unidade no País, pois, para ele, o nível de corrupção da gestão do
peemedebista é tão latente quanto a da petista. "Tanto é que eles adiaram
o julgamento do Eduardo Cunha, porque ele vai levar uns 35 senadores e outros
100 ou 200 deputados. Estamos preocupados com a desvalorização das instâncias
do Poder Legislativo e Executivo", criticou.
Para Zé Ailton
Brasil (PP), a economia só deve melhorar com a confiabilidade do setor
econômico e políticas de governo afirmativas que poderiam ter sido implantadas
por Dilma Rousseff, e que o presidente interino, segundo Brasil, não demonstrou
ainda. "Sou contrário ao impeachment desde o início, pois a presidente foi
eleita com voto da maioria da população e não cometeu nenhum crime durante seu
mandato", defendeu.
O deputado Tin
Gomes (PHS) ressaltou que, no momento em que tiver uma decisão, se Michel fica
no comando do Governo em definitivo ou Dilma retoma sua posição, a situação do
País vai melhorar, porque a questão política será definida. Para ele, a crise
política é que está afetando a economia.
"Temos o
impeachment de uma presidente da República, um (ex-)presidente da Câmara
afastado, podendo ter o mandato cassado, e um presidente do Senado sendo
denunciado. Isso tudo fragiliza a economia".
Fernanda Pessoa
(PR) afirmou que o País precisa mudar e que o impeachment de Dilma é o primeiro
passo para isso acontecer. Em sua opinião, é preciso moralizar a política
brasileira, e isto já estaria sendo feito. Ela sustentou que Michel Temer, que
poderá assumir a Presidência do Brasil em definitivo, veja o que não deu certo
no Governo do PT e procure fazer diferente.
Silvana Oliveira
(PMDB) disse que o processo tem sido muito lento e tem causado apreensão na
população que, segundo ela, quer ver o resultado imediato do impeachment. Assim
como os demais deputados, a parlamentar ressaltou que Dilma Rousseff deveria
ter renunciado logo no início da crise política e econômica, o que, para ela,
seria uma demonstração de amor pela Nação. "Na votação na Câmara a gente
já viu que o impeachment era inevitável. Os gastos irresponsáveis forma
descobertos, e naquele momento era para ela ter caído ou renunciado".