Sob a justificativa
de que a crise econômica no Brasil pode perdurar pelo menos até o primeiro
quadrimestre de 2017 e com ela as quedas na arrecadação, o Governo do Ceará
apresentou ontem, no Palácio da Abolição, um conjunto de dez medidas com a meta
de acrescentar aos cofres públicos R$ 850 milhões por ano, considerada
suficientes para compensar perdas de receita e manter investimentos demandados
pela sociedade.
Os dez itens do
chamado Plano de Sustentabilidade para o Desenvolvimento do Estado do Ceará
incluem, dentre outros, aumento da contribuição previdenciária de servidores de
11% para 14%; alta da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) incidente em itens básicos de 17% para 18%; e a instituição de
um teto para gastos públicos a partir de uma Proposta de Emenda Constitucional
(PEC).
Essas três medidas,
a exemplo da maioria, serão enviadas hoje à Assembleia Legislativa. A intenção
do governo é que elas sejam aprovadas antes do recesso parlamentar, que ocorre
a partir do dia 22 deste mês.
Outros itens não
precisam passar pelo crivo do Legislativo e serão implementados pelo governo
imediatamente, como a redução de 10% das despesas de custeio (água, energia e
combustível, por exemplo) do Estado e a criação de um grupo instituído por
representantes da sociedade civil organizada para manter o diálogo com o poder
público estadual a respeito do crescimento sustentável do Ceará.
Imposto
A alta do ICMS diz
respeito à alíquota geral (modal), de itens básicos do dia a dia. Mauro Filho
diz que são vários itens, como camisa, papel e clipe (para prender folhas).
"Todos os
estados o Nordeste já aumentaram esse 1%. Os três mais importantes (que estão
de fora do aumento) são o combustível, energia e comunicação", argumenta
Mauro Filho. Se aprovado na Assembleia, o aumento da alíquota passa a valer a
partir de abril de 2017 e renderá uma receita extra de R$ 130 milhões por ano.
Teto de gastos
Enquanto tramita no
Senado a polêmica PEC 55, chegará ao Legislativo cearense hoje a chamada PEC
para o "Crescimento Sustentável", que se assemelha à outra proposta
por também impor limites a gastos públicos. A proposta do Executivo estadual,
entretanto, tem claras distinções em relação à do governo federal, de acordo
com Mauro Filho.
"Enquanto a
União trata da limitação das despesas primárias, aqui no Estado nós estamos
propondo uma PEC para as despesas primárias correntes. Traduzindo isso:
investimento é uma despesa primária, mas é despesa de capital. A limitação da
PEC do 'Crescimento Sustentável' é para despesas primárias correntes.
Investimento está fora desse limite", frisa o secretário da Fazenda.
Despesas
Segundo a Proposta
de Ementa Constitucional do Executivo estadual, as despesas primárias correntes
do Estado, ou seja, os gastos para custear os serviços públicos, do exercício
de 2017 terão acréscimo de 7% sobre as pagas em 2016. Para os demais anos, a
variação será limitada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
ou a 75% da receita corrente líquida.
A PEC do
"Crescimento Sustentável" tem prazo de validade de 10 anos, com
revisão no sexto ano de vigência. A proposta também assegura que a Saúde deve
receber no mínimo 12% e Educação, 25% das receitas provenientes de impostos, de
acordo com as regras constitucionais atuais.
Outras ações
As medidas do Plano
de Sustentabilidade para o Desenvolvimento do Estado do Ceará também incluem a
ausência de anistia ou remissão de tributos devidos ao Estado por 10 anos. Na
prática, os Programas de Recuperação Fiscal (Refis) serão extintos por esse
período.
Também está
prevista no plano do governo a criação de um fundo com recursos oriundo de
multas cobradas pela Procuradoria do Estado que serão destinas ao combate à
corrupção.
Justificativa
De acordo com o
titular da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz), Mauro Filho, as
medidas do Plano de Sustentabilidade para o Desenvolvimento do Estado, as
medidas irão compensar as perdas de arrecadação, que ocorre principalmente por
conta das de quedas de repasses federais, provenientes do Fundo de Participação
do Estados (FPE). "De janeiro a novembro deste ano, o Estado do Ceará
recebeu R$ 466 milhões a menos (em comparação a igual período de 2015, via
FPE), folha de pagamentos subindo. Além disso, o Estado do Ceará é o único que
continua contratando", argumenta o secretário.