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Dilma promete oposição ‘enérgica e incansável’

Em discurso após ter mandato cassado, a petista definiu processo como ‘fraude’ que levou ‘corruptos’ ao poder

Na primeira aparição pública como ex-presidente do Brasil, Dilma Vana Rousseff (PT), aos 68 anos, fez discurso forte ontem, em que declarou sofrer “o segundo golpe” de sua vida e prometeu, ao governo de Michel Temer (PMDB), uma oposição “firme, incansável e enérgica” até o fim de 2018.

Durante a fala de 13 minutos no saguão de entrada do Palácio da Alvorada, Dilma disse que a consumação do impeachment era uma “fraude”, na qual “um grupo de corruptos” foi alçado ao poder. Ela declarou ainda que recorrerá a “todas as instâncias possíveis” para rever o cenário que chamou de “injusto”.

“É o segundo golpe que enfrento na vida. O primeiro, militar, apoiado na truculência das armas da repressão e da tortura, que me atingiu quando eu era uma jovem militante. O segundo, parlamentar, desfechado hoje (ontem) por meio de uma farsa jurídica”, afirmou a petista. “Ouçam bem. Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos nós vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”, completou Dilma.

Passada a votação no plenário do Senado e sem a necessidade de convencer senadores a votarem por ela, a ex-presidente endureceu o discurso e chamou os aliados de Temer de “corruptos”, com uma referência indireta à Operação Lava-Jato. “Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis aprovadas e sancionadas a partir de 2003, e aprofundadas em meu governo, levem justamente ao poder um grupo de corruptos investigados”.

Volta ao poder

Cercada por ex-ministros e congressistas e observada de longe pelo ex-presidente Lula Inácio Lula da Silva, que preferiu assistir à fala da sucessora do alto da rampa do Alvorada, Dilma pediu que seus apoiadores “não desistam da luta” e disse que seu grupo voltará ao poder.

“Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de Estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano”, sustentou. A ex-presidente afirmou, ainda, que o que chama de “golpe” não foi apenas contra ela ou contra o PT. “Isso foi apenas o começo. Vai atingir indistintamente qualquer organização progressista e democrática. O golpe é contra o povo, contra a nação, é misógino, é homofóbico, é racista”, disse. 

Hoje, PT e partidos aliados somam cerca de 100 dos 513 deputados na Câmara e não devem conseguir causar tantos problemas ao governo Temer. Lula, no entanto, aposta nas mobilizações de rua e quer que Dilma percorra com ele o País. Ao final do discurso, a petista deu sinais de que pode acompanhar o padrinho político. “Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer ‘até daqui a pouco’”.

Pouco antes de seu pronunciamento, Dilma assistiu à votação do impeachment no Senado na biblioteca do Alvorada ao lado de Lula e alguns ex-ministros. Após confirmado o resultado que tirou seu mandato, ela abraçou Lula e cumprimentou os aliados. Não chorou e pediu para que não chorassem.

Aparentando cansaço e bastante chateado, o ex-presidente fez um desabafo ao assistir ao discurso de Ronaldo Caiado (DEM-GO) durante a votação: “É o resumo do que toda a classe conservadora pensa da gente”. Caiado afirmou no plenário que “canalhas” eram aqueles que haviam “roubado a Petrobras” e levaram o País “a essa situação”.

Articulação

De volta à oposição, o PT já propõe aos aliados a formação de um bloco de resistência ao governo Temer. Ontem, enquanto acompanhava a votação do impeachment ao lado de Dilma, Lula sugeriu a Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, a composição de um bloco de oposição no Congresso, oferecendo ao PDT a liderança da minoria.

Segundo Lupi, Lula não descarta, inclusive, o lançamento de um candidato fora do PT para a Presidência, entre eles o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). “Ele diz que Ciro é o mais preparado, o problema é o temperamento”.

Parte emblemática da fala Dilma deixou para o fim, um poema do russo Vladimir Maiakóvski. “Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas”, declamou.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), escreveu, em sua página no Facebook, que considerou o resultado da votação do impeachment de Dilma “o desfecho do mais injusto processo da história democrática deste País, quando uma mulher honrada, honesta, foi punida da forma mais severa, extirpada da cadeira da Presidência”.

01 de SET de 2016 às 07:19:05
Fonte: Diário do Nordeste
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Na primeira aparição pública como ex-presidente do Brasil, Dilma Vana Rousseff (PT), aos 68 anos, fez discurso forte ontem, em que declarou sofrer “o segundo golpe” de sua vida e prometeu, ao governo de Michel Temer (PMDB), uma oposição “firme, incansável e enérgica” até o fim de 2018.

Durante a fala de 13 minutos no saguão de entrada do Palácio da Alvorada, Dilma disse que a consumação do impeachment era uma “fraude”, na qual “um grupo de corruptos” foi alçado ao poder. Ela declarou ainda que recorrerá a “todas as instâncias possíveis” para rever o cenário que chamou de “injusto”.

“É o segundo golpe que enfrento na vida. O primeiro, militar, apoiado na truculência das armas da repressão e da tortura, que me atingiu quando eu era uma jovem militante. O segundo, parlamentar, desfechado hoje (ontem) por meio de uma farsa jurídica”, afirmou a petista. “Ouçam bem. Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos nós vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”, completou Dilma.

Passada a votação no plenário do Senado e sem a necessidade de convencer senadores a votarem por ela, a ex-presidente endureceu o discurso e chamou os aliados de Temer de “corruptos”, com uma referência indireta à Operação Lava-Jato. “Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis aprovadas e sancionadas a partir de 2003, e aprofundadas em meu governo, levem justamente ao poder um grupo de corruptos investigados”.

Volta ao poder

Cercada por ex-ministros e congressistas e observada de longe pelo ex-presidente Lula Inácio Lula da Silva, que preferiu assistir à fala da sucessora do alto da rampa do Alvorada, Dilma pediu que seus apoiadores “não desistam da luta” e disse que seu grupo voltará ao poder.

“Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de Estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano”, sustentou. A ex-presidente afirmou, ainda, que o que chama de “golpe” não foi apenas contra ela ou contra o PT. “Isso foi apenas o começo. Vai atingir indistintamente qualquer organização progressista e democrática. O golpe é contra o povo, contra a nação, é misógino, é homofóbico, é racista”, disse. 

Hoje, PT e partidos aliados somam cerca de 100 dos 513 deputados na Câmara e não devem conseguir causar tantos problemas ao governo Temer. Lula, no entanto, aposta nas mobilizações de rua e quer que Dilma percorra com ele o País. Ao final do discurso, a petista deu sinais de que pode acompanhar o padrinho político. “Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer ‘até daqui a pouco’”.

Pouco antes de seu pronunciamento, Dilma assistiu à votação do impeachment no Senado na biblioteca do Alvorada ao lado de Lula e alguns ex-ministros. Após confirmado o resultado que tirou seu mandato, ela abraçou Lula e cumprimentou os aliados. Não chorou e pediu para que não chorassem.

Aparentando cansaço e bastante chateado, o ex-presidente fez um desabafo ao assistir ao discurso de Ronaldo Caiado (DEM-GO) durante a votação: “É o resumo do que toda a classe conservadora pensa da gente”. Caiado afirmou no plenário que “canalhas” eram aqueles que haviam “roubado a Petrobras” e levaram o País “a essa situação”.

Articulação

De volta à oposição, o PT já propõe aos aliados a formação de um bloco de resistência ao governo Temer. Ontem, enquanto acompanhava a votação do impeachment ao lado de Dilma, Lula sugeriu a Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, a composição de um bloco de oposição no Congresso, oferecendo ao PDT a liderança da minoria.

Segundo Lupi, Lula não descarta, inclusive, o lançamento de um candidato fora do PT para a Presidência, entre eles o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). “Ele diz que Ciro é o mais preparado, o problema é o temperamento”.

Parte emblemática da fala Dilma deixou para o fim, um poema do russo Vladimir Maiakóvski. “Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas”, declamou.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), escreveu, em sua página no Facebook, que considerou o resultado da votação do impeachment de Dilma “o desfecho do mais injusto processo da história democrática deste País, quando uma mulher honrada, honesta, foi punida da forma mais severa, extirpada da cadeira da Presidência”.

01 de SET de 2016 às 07:19:05
Fonte: Diário do Nordeste