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Empresários acusados de tráfico e lavagem de dinheiro estão soltos

Os réus, de acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público, fariam parte de uma organização criminosa

Empresários presos pela Polícia Federal (PF) durante a deflagração da 'Operação Cardume', em setembro de 2015, foram soltos e estão respondendo ao processo em liberdade. Os réus Sérgio de Souza Ferreira, Igor Euller Rodrigues Gomes e Fábio Marcelo Ramalho de Araújo são acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de integrar uma das maiores organizações criminosas de narcotraficantes internacionais em atividade no Ceará.

O último dos três a ser posto em liberdade foi Sérgio Ferreira, proprietário de duas revendas de aparelhos celulares e de um haras, no município de Trairi. Ele foi solto com aplicação de medidas cautelares como monitoramente eletrônico por tornozeleira, mês passado, em determinação da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal - 5ª Região (TRF5), em Recife. Os outros dois já estavam fora da cadeia desde o ano passado.

Sérgio Ferreira foi denunciado em abril deste ano pelo MPF pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Federal e o MPF, as contas correntes do empresário seriam usadas para "lavar" dinheiro oriundo do tráfico internacional. Outros 27 réus também foram denunciados por crimes diversos ligados ao narcotráfico.

O grupo criminoso, conforme o processo, trazia drogas da Bolívia e do Paraguai. O entorpecente era revendido, principalmente no Ceará e Rio Grande do Norte, mas também era exportado para países da Europa como Portugal e Itália. A quadrilha era numerosa e possuía vários núcleos na logística do tráfico internacional.

De acordo com os investigadores, cada organismo era composto de várias pessoas com divisão de tarefas, com destaque para os traficantes com contatos internacionais na cadeia hierárquica do grupo, alguns deles ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), como Lindoberto Silva de Castro, o 'Louro'; George Gustavo da Silva; Cícero de Brito; Paulo Diego da Silva Araújo; e Antônio Márcio Renes Araújo, o 'Márcio Lorim'. Todos os homens apontados como chefes da quadrilha permanecem presos (ver coordenada).

Interceptações

Além da "branquear" o dinheiro da droga por meio da empresa dele, Sérgio também é acusado de atuar em parceria com um dos chefes da organização criminosa, Cícero de Brito, em um esquema de troca de cheques (agiotagem), assim como importação ilegal de produtos eletrônicos do Paraguai. De acordo com as investigações, Sérgio Ferreira foi flagrado em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça Federal "em clara situação de subordinação a Cícero de Brito, realizando, em favor do traficante, contato com estrangeiros".

O empresário também é suspeito de fornecer celulares regularmente para integrantes da quadrilha, como forma de não serem apanhados em conversas pelas autoridades. No haras de propriedade de Sérgio Ferreira, de acordo com as investigações, existiria uma pista de pouso para aeronaves de pequeno porte que traziam carregamentos de drogas à quadrilha.

Conforme os advogados Hélio Nogueira Bernardino, Francisco Rômulo Araújo Sousa Filho e Mayko Renan Carlos de Alcântara, que representam Sérgio Ferreira, ele apenas emprestou as contas da empresa para depósitos, mas nunca participou de atividades ilícitas.

Em abril deste ano, a defesa ingressou com pedido de liberdade na 11ª Vara da Justiça Federal alegando que não havia pista de pouso na propriedade, mas sim um prado para corrida dos cavalos. A solicitação foi negada e os advogados impetraram habeas corpus no TRF5.

O MPF emitiu parecer favorável à soltura do réu. O desembargador federal Edilson Pereira Nobre Júnior concedeu o pedido e determinou a liberdade do empresário com aplicação de medidas cautelares.

Químicos

Já os réus Igor Euller e Fábio Marcelo Ramalho, presos preventivamente em setembro de 2015, seriam integrantes do núcleo dos químicos, de acordo com a denúncia do MPF. O primeiro, proprietário da empresa Eudes Distribuidora de Insumos Farmacêuticos se destacaria como o principal fornecedor de produtos químicos (fenacetina/manitol/lidocaína) para a rede criminosa. O material seria usado para desdobrar (misturar) a cocaína.

Conforme a Polícia e o MPF, Igor Euller desviou o material para os núcleos dos traficantes George Gustavo e Lindoberto Castro. Ele também teria realizado a inserção de dados falsos no sistema de controle administrado pelo Departamento de Polícia Federal.

Já Fábio Marcelo, proprietário da empresa Soluções & Saúde, conforme o processo, teria obtido autorização junto ao Departamento de Polícia Federal para adquirir produtos químicos com o objetivo de revender a traficantes de drogas. De acordo com o MPF, em dois anos, o grupo movimentou mais de sete toneladas de insumos químicos com traficantes de drogas.

Igor e Fábio Marcelo foram denunciados por tráfico, associação ao tráfico e organização criminosa. A defesa de Igor alega inépcia da denúncia por ser genérica e não ter demonstrado o ânimus associativo do crime de associação para o tráfico. Já a de Fábio Marcelo alega falta de justa causa.

No último dia 9, terminou a instrução do processo. Nessa próxima fase da ação penal, outros acusados podem ser soltos para aguardar a sentença.

15 de AGO de 2016 às 07:46:20
Fonte: Diário do Nordeste
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Empresários presos pela Polícia Federal (PF) durante a deflagração da 'Operação Cardume', em setembro de 2015, foram soltos e estão respondendo ao processo em liberdade. Os réus Sérgio de Souza Ferreira, Igor Euller Rodrigues Gomes e Fábio Marcelo Ramalho de Araújo são acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de integrar uma das maiores organizações criminosas de narcotraficantes internacionais em atividade no Ceará.

O último dos três a ser posto em liberdade foi Sérgio Ferreira, proprietário de duas revendas de aparelhos celulares e de um haras, no município de Trairi. Ele foi solto com aplicação de medidas cautelares como monitoramente eletrônico por tornozeleira, mês passado, em determinação da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal - 5ª Região (TRF5), em Recife. Os outros dois já estavam fora da cadeia desde o ano passado.

Sérgio Ferreira foi denunciado em abril deste ano pelo MPF pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Federal e o MPF, as contas correntes do empresário seriam usadas para "lavar" dinheiro oriundo do tráfico internacional. Outros 27 réus também foram denunciados por crimes diversos ligados ao narcotráfico.

O grupo criminoso, conforme o processo, trazia drogas da Bolívia e do Paraguai. O entorpecente era revendido, principalmente no Ceará e Rio Grande do Norte, mas também era exportado para países da Europa como Portugal e Itália. A quadrilha era numerosa e possuía vários núcleos na logística do tráfico internacional.

De acordo com os investigadores, cada organismo era composto de várias pessoas com divisão de tarefas, com destaque para os traficantes com contatos internacionais na cadeia hierárquica do grupo, alguns deles ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), como Lindoberto Silva de Castro, o 'Louro'; George Gustavo da Silva; Cícero de Brito; Paulo Diego da Silva Araújo; e Antônio Márcio Renes Araújo, o 'Márcio Lorim'. Todos os homens apontados como chefes da quadrilha permanecem presos (ver coordenada).

Interceptações

Além da "branquear" o dinheiro da droga por meio da empresa dele, Sérgio também é acusado de atuar em parceria com um dos chefes da organização criminosa, Cícero de Brito, em um esquema de troca de cheques (agiotagem), assim como importação ilegal de produtos eletrônicos do Paraguai. De acordo com as investigações, Sérgio Ferreira foi flagrado em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça Federal "em clara situação de subordinação a Cícero de Brito, realizando, em favor do traficante, contato com estrangeiros".

O empresário também é suspeito de fornecer celulares regularmente para integrantes da quadrilha, como forma de não serem apanhados em conversas pelas autoridades. No haras de propriedade de Sérgio Ferreira, de acordo com as investigações, existiria uma pista de pouso para aeronaves de pequeno porte que traziam carregamentos de drogas à quadrilha.

Conforme os advogados Hélio Nogueira Bernardino, Francisco Rômulo Araújo Sousa Filho e Mayko Renan Carlos de Alcântara, que representam Sérgio Ferreira, ele apenas emprestou as contas da empresa para depósitos, mas nunca participou de atividades ilícitas.

Em abril deste ano, a defesa ingressou com pedido de liberdade na 11ª Vara da Justiça Federal alegando que não havia pista de pouso na propriedade, mas sim um prado para corrida dos cavalos. A solicitação foi negada e os advogados impetraram habeas corpus no TRF5.

O MPF emitiu parecer favorável à soltura do réu. O desembargador federal Edilson Pereira Nobre Júnior concedeu o pedido e determinou a liberdade do empresário com aplicação de medidas cautelares.

Químicos

Já os réus Igor Euller e Fábio Marcelo Ramalho, presos preventivamente em setembro de 2015, seriam integrantes do núcleo dos químicos, de acordo com a denúncia do MPF. O primeiro, proprietário da empresa Eudes Distribuidora de Insumos Farmacêuticos se destacaria como o principal fornecedor de produtos químicos (fenacetina/manitol/lidocaína) para a rede criminosa. O material seria usado para desdobrar (misturar) a cocaína.

Conforme a Polícia e o MPF, Igor Euller desviou o material para os núcleos dos traficantes George Gustavo e Lindoberto Castro. Ele também teria realizado a inserção de dados falsos no sistema de controle administrado pelo Departamento de Polícia Federal.

Já Fábio Marcelo, proprietário da empresa Soluções & Saúde, conforme o processo, teria obtido autorização junto ao Departamento de Polícia Federal para adquirir produtos químicos com o objetivo de revender a traficantes de drogas. De acordo com o MPF, em dois anos, o grupo movimentou mais de sete toneladas de insumos químicos com traficantes de drogas.

Igor e Fábio Marcelo foram denunciados por tráfico, associação ao tráfico e organização criminosa. A defesa de Igor alega inépcia da denúncia por ser genérica e não ter demonstrado o ânimus associativo do crime de associação para o tráfico. Já a de Fábio Marcelo alega falta de justa causa.

No último dia 9, terminou a instrução do processo. Nessa próxima fase da ação penal, outros acusados podem ser soltos para aguardar a sentença.

15 de AGO de 2016 às 07:46:20
Fonte: Diário do Nordeste