O Ministério da Educação quer adotar um novo exame para a
certificação de conclusão do ensino médio. Hoje, o candidato acima de 18 anos
pode recorrer ao Enem para confirmar que encerrou a educação básica. Para isso,
é preciso alcançar 450 pontos em cada uma das áreas do conhecimento, além de
nota acima de 500 na redação.
“As duas
coisas estão juntas: o acesso ao ensino superior com o processo de certificação
daqueles que estão tentando concluir o ensino médio. Na prova, é muito difícil
assoviar e chupar cana ao mesmo tempo”, disse ontem o ministro Aloizio
Mercadante (Educação), em referência às diferentes funções do Enem.
Segundo ele, a ideia é fazer
nova avaliação para os estudantes que tentam a certificação. Na edição de 2014,
num universo de cerca de 8,7 milhões de candidatos, 997.131 pessoas solicitaram
o exame para fins de certificação. Desse total, 631.071 compareceram ao local
de prova e apenas 67.254 (10,6%) atingiram a pontuação exigida.
O atual sistema possibilita que
o estudante use sua nota no exame para entrar em diversas universidades
públicas, como a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a Unifesp
(Universidade Federal de São Paulo). O único requisito é ter tirado nota acima
de zero na prova de redação. O resultado da chamada única do Sisu será
divulgado no dia 18 de janeiro.
A edição
deste ano do Enem teve 7,7 milhões de inscritos, mas 25% deles (1,9 milhão) não
participaram dos dois dias de testes. Esse foi o menor índice de abstenção
desde 2009. O valor gasto para aplicar o Enem neste ano ainda não foi informado
pelo Ministério da Educação. Em 2014, o teste custou R$ 540 milhões.
Após evento no Palácio do
Planalto, Mercadante afirmou ainda que a solução para o pagamento de contratos
em atraso do Fies é cobrar a dívida de fiadores dos beneficiários.
“A primeira saída é a
negociação, essa é a possibilidade. Se não [pagarem a dívida], ficam
negativados e têm problemas sérios. A segunda saída é acionar a Justiça”, disse
ele após participar de cerimônia.
Do total de estudantes em fase
de pagamento pelo financiamento obtido via Fies, quase metade está inadimplente
- e a grande maioria deles, há mais de um ano.
Para o ministro, o nível de
inadimplência é “baixíssimo”. Ele argumentou que esses contratos em atraso não
têm “nenhuma incidência do fundo garantidor”, em referência a uma das opções de
garantia do Fies.
Além do chamado Fgeduc, formado
por recursos da União e das instituições de ensino, as outras garantias são a
convencional (dois fiadores com renda superior ao valor da mensalidade) e a
“solidária”, feita por grupo de até cinco estudantes de uma mesma instituição
de ensino, sem comprovação de rendimentos.
“O avalista é sempre a última
instância, mas não incide sobre o fundo garantidor. Se não houver negociação,
parcelamento,ou algum tipo de tratamento”, disse.