Uma ação civil pública
ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) de Minas Gerais está pedindo que
a Justiça Federal proíba a rede pública de Saúde de aplicar a vacina contra o
Papiloma Vírus Humano (HPV) em todo o Brasil. Segundo o site do MPF de Minas, a
ação também pede a nulidade de todos os atos normativos da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) que autorizaram a importação, produção,
distribuição e comercialização da vacina no país. A ação foi distribuída para a
2a. Vara Federal de Uberlândia.
O fundamento do pedido, de acordo com o MPF, está no fato de que não foram
realizados estudos que comprovem a eficácia ou apontem os efeitos colaterais da
vacina, incluída no calendário anual de imunizações da população brasileira há
cerca de dois anos.
No curso do procedimento instaurado para
investigar os fatos, o MPF ouviu um neurocirurgião da cidade de Uberlândia/MG,
que relatou a ocorrência, em pacientes que haviam tomado a vacina contra o HPV,
de quadros clínicos neurológicos, como esclerose múltipla, neuromielite ótica,
mielites, paraplegias, tumor de medula espinhal, lesões oculares, déficit
visual, déficit de memória e aprendizado, pseudotumor cerebral e trombose
venosa cerebral.
Na opinião do médico, a afirmação de que a
vacina previne o câncer é "especulativa", já que ela teve seu uso
clínico iniciado em 2006 e o câncer de colo de útero demora cerca de 10 anos
para se manifestar. Além disso, segundo ele, os estudos a favor do uso da
vacina teriam sido realizados por pesquisadores que recebem honorários do
fabricante, o que retiraria a imparcialidade científica dos trabalhos.
"Diante desses fatos, não vimos outra
alternativa senão a de ingressar em juízo para impedir que a vacina continue
sendo aplicada em todo o território nacional, na rede pública ou privada de
saúde", explica Cléber Eustáquio Neves. "Até porque também não existe
comprovação cabal de que o HPV cause o câncer de colo de útero".
No Brasil, o assunto chamou a atenção do Ministério Público Federal a partir da
representação feita pela mãe de uma adolescente, que, após receber a vacina,
desenvolveu vários problemas de saúde, com sequelas definitivas.
Para o procurador da República, Cléber
Eustáquio Neves, autor da ação, "a decisão de fornecer a vacina contra o
HPV é temerária, até porque desde que passou a ser aplicada em vários países,
mais de dois mil efeitos colaterais foram registrados. O governo japonês, por
exemplo, retirou seu apoio para vacinas HPV, em face do relato de inúmeros
efeitos colaterais que vão desde de dor, paralisia, alterações do funcionamento
do coração, alterações do sistema imunológico, dos sistemas de coagulação do
sangue, dos sistemas respiratório, nervoso e digestivo, até dores musculares e
infertilidade".
Isso porque, segundo o
Instituto Nacional de Câncer (INCA), existem mais de 100 tipos diferentes de
HPV, sendo que apenas 13 deles podem causar câncer. Ainda de acordo com o INCA,
o câncer de colo de útero é um desfecho raro na presença da infecção pelo HPV.