Oito presos do sistema penitenciário do Ceará foram
aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) na Universidade Federal do
Ceará (UFC) e Universidade Estadual do Ceará (UECE). Os detentos foram
aprovados nos cursos de Matemática, Serviço Social, Educação Física, Pedagogia
e Administração na UFC, um dos mais concorridos do Ceará.
O resultado é recorde no Ceará, segundo a Secretaria da Justiça.
“É muito melhor ser reconhecido como alguém que
está buscando uma segunda chance do que como alguém que cometeu um
delito", diz um dos presidiários aprovados, que teve a identidade
preservada. "Todos merecem uma oportunidade de refazerem suas vidas
dignamente. Sei que o preconceito é muito grande, mas isso não diminui as minhas
forças. Eu vou mostrar que as pessoas mudam quando realmente desejam essa
mudança. Nunca me senti tão feliz”, completa.
"Os alunos que se matriculam no sistema
prisional querem mudar de vida quando saírem dali. A gente tem atualmente 769
alunos; se a gente conseguir fazer com que 10 se sintam melhor e prontos para
saírem do local, a gente entende que a escola tá acertando na sua parte",
diz a coordenadora da escola Aloísio Leo Arlindo Lorscheider.
Dificuldade de
matricular
A escola de ensino fundamental e médio foi fundada em 2013 para atender os
presidiários do Ceará. Além da aprovação, a escola tenta incluí-los nas
universidade, o que é uma dificuldade, segunda a professora Poennia Gadelha.
"A Defensoria Pública não dá conta de toda a demanda do sistema
penitenciário cearense, e os advogados particulares cobram muito caro para
fazer uma solicitação desse tipo ao judiciário, algo em torno de R$ 10
mil", diz.
Para que o presidiário seja admitido em uma universidade, é preciso obter
autorização judicial. Atualmente, dois presidiários do Ceará estudam em cursos
de nível superior à distância pelo Prouni, mas os aprovados pelo Sisu nos anos
anteriores não obtiveram permissão para o estudo.
Enem para
privados de liberdade
O Enem para pessoas privadas de liberdade (PPL) é uma versão especial do exame dedicada exclusivamente a adultos privados de liberdade e jovens sob medida socioeducativa que também inclui privação de liberdade.
Para garantir a participação destas pessoas, as
unidades prisionais e socioeducativas firmaram termo de adesão com o Inep,
indicando um responsável pela inscrição e acompanhamento de cada candidato. No
caso da região metropolitana de Fortaleza, esse acompanhamento é realizado
pelos membros do núcleo gestor da EEFM Aloísio Leo Arlindo Lorscheider, a
saber: Raimundo Nonato, diretor, e as três coordenadoras escolares, Maria
Aparecida, Poennia Gadelha e Sirlandia Dantas.
As provas utilizam o mesmo modelo e tem o mesmo
nível de dificuldade do Enem tradicional, sendo composto por 180 questões,
subdividas em quatro grandes áreas do conhecimento: Ciências Humanas, Ciências
da Natureza, Matemática e Linguagens e Códigos e Redação.
Os resultados do Enem PPL também podem ser
utilizados para fins de Certificação de Conclusão do Ensino Médio pelas
Instituições autorizadas pelo Inep. Para tanto, o candidato deve atingir o
atingir o mínimo de 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento do exame e
o mínimo de 500 pontos na redação.